sexta-feira, março 23, 2007

vida de trincheira

vida sulcada
entre dissabores
insípida
mas o sol brilha
sobre tal trincheira;
sobre meu rosto e meu coração sujos
apronto minhas armas;
minhas botas afundam na lama
e espero a chegada
de sua ignorância





domingo, março 18, 2007

Menino Dragão

Sou o menino-dragão
vejam minhas garras
e a chama
em meus olhos!
Sou mau e sou odiado
porque nem a espada e nem a flecha
podem fazer-me mal
Evito as pessoas, não as olho
para não assustá-las
Vivo numa caverna
longe, longe
As pessoas me odeiam
Pois eu seqüestrei a princesa
Ai de mim!
Ela se apaixonou por mim!
E ela não entende
que seu rapto foi castigo
Explico-lhe que deve se casar com o príncipe
e não comigo, um sinistro menino-dragão.
Um menino-dragão arrogante,
cruel, impiedoso e frio
Que nunca soube o que é carinho.
Dito isto, eu vi
que estava
acariciando seus cabelos
e chorando ao seu pescoço.
.
.
.
.

quinta-feira, março 08, 2007

fada verde

fada verde
que me entorpece
me exclua da verdade,
me estupre
e em alimente
faça comigo
assim como a um inimigo
que lhe seja amante
que lhe seja mortal
fada verde, fada verde,
não me entorpeça
antes, em adormeça
fale sem sentido
e sem moral
me apresente
algo que seja mortal
seu amor
seu esmorecimento
sua ética e suas asas
de borboleta, de amante
veja que a velha
começa a colher gravetos
outono, minha amante
você e seus contos de fada
sua imbecil safada
que muito me honra
que muito me droga
esqueça-me
e suma
suma
acima
assuma
acidente
algo que não se trai...
não, se trai...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

cromossomo

Em se cansando
dança no deserto
Segue a cor
do nada usando
como certo, como certo
destrava o amor
repleto repleto
língua fugaz,
indo direto
pousando
pensando
fico
horrendo
mereço
imenso
tudo
desonesto:
sede,
sexo,
vingança
reflexo
você
ocaso
café
carro
chuva
invisível
e tocável
e,
e,
e!
trocavel?


domingo, janeiro 28, 2007

silêncio PAVOROSO

dias e dias
tentando superar
tentando esquecer
às vezes eu até rio, imagine?
eu até finjo viver
e aí,
de repente,
ao acaso,
vejo uma pequena coisa
uma frase,
uma lembrança pequenina,
e volto ao inferno
um sofrimento
do tamanho do meu amor
um grito
que ninguém ouve
desespero
um
pavoroso silêncio
e viro novamente
aquele monstro
numa caverna.
.
.
.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

domingo, janeiro 14, 2007

ELEFANTE-ME

elefante-me
qualquer
sagrado
distante
branco
lhe-esmago-me
pés
pesado
pessimista
insista
em ser
intimista
arado
em seu
ressentimento
.
.
.
não adianta,
pedrinhas
não bastam
para impressionar
um elefante branco
e sagrado
e ousado
e coberto
por guirlandas
de flores vermelhas
rosas
laranjas
e de céu
e em sua
testa
pintado
o sinal de Shiva
não tente,
não o tente
ele é sagrado
ele é branco
das cinzas
de sua vida destruída
.
.
.

domingo, janeiro 07, 2007

atrás do muro (a necrônica)

atrás do muro
há lágrimas
há paz
um menino-dragão
vê uma lua verde
vontade de morrer
ali ele pode sentir
não há o que esconder
atrás do muro
do seu muro
e ninguém
sabia: também ele
tinha sentimentos

segunda-feira, dezembro 11, 2006

domingo, dezembro 03, 2006

Räel

Um monstro que nos devora
e que nos ensina
temos de vencê-lo
deixando que ele
nos vença
De que planeta você veio?
o que é seu coração?
o que você sabe de mim?
um deserto em que
nos amamos
e OVNI´S surgem
como mandalas no céu
para nos abençoar

sábado, dezembro 02, 2006

dance, dance, dance, dance!
seu filho da puta
a dança das horas
a dança da vida
pise em seus
próprios olhos
beije alguém
e seja ninguém

domingo, outubro 29, 2006

Angel

Anjo,
é voltando para casa
às cinco da manhã
que eu sinto saudade de você
olha o sol vermelho!
vermelho que nem teu cabelo!
anjo da madrugada,
você foi o melhor
que me aconteceu.
anjo, quando penso em alguém
só é você que me aparece
como um anjo
sorrindo,
voando,
dourado
e vermelho
belo.

terça-feira, outubro 24, 2006

Sleep (sweet Halloween!)

Estou feliz agora!
Algo já ficou para trás!
e eu sinto isso,
a negra nuvem
do teu cabelo negro
desapareceu
no escuro
onde eu dancei a noite toda
Sozinho, mas feliz
sendo o que eu gosto de ser
Músicas, músicas, músicas,
vós sois minhas companheiras!
Obrigado, obrigado
e nunca o madame Satã
foi a mim meu melhor vinho
Peito aberto
para um novo amor
.
.

terça-feira, outubro 17, 2006

nosferatu

nosferatu
uma camisa preta
um olhar antigo
mão
cabeça
navio
outubro
e
o nada

o nome do meu adeus

adeus, adeus,
e o nome do meu adeus
ainda não tem nome:
arsênico,
estricnina,
tristeza,
bala,
forca,
saudade.
ainda não sei
o nome do meu adeus
só sei que estou acenando
e me afogando.

segunda-feira, outubro 16, 2006

coleção de dores

Vendendo a Alma
dando um tempo
sendo um outro
indo a fundo
esperando
esperando
morando
enterrando
e crescendo

sexta-feira, outubro 06, 2006

auto da barca do amor negro

Nesse mar de dias escuros,
dias frios,
onde minhas certezas naufragaram
a única coisa
que me impede de afundar
para a escuridão
onde as certezas levam
é o meu medo
Tenho medo!
sim, agarro-me a ele
e por isso
não sei se você
gosta de mim
acho que sim
sinto que sim, acredite!
Estou perdido
É isso.
Amor negro
como teus cabelos,
como meu humor idiota,
como meu coração
envenenado
de medo
e amor
.
.
.
(o mês das bruxas inicia-se!)

terça-feira, outubro 03, 2006

nada mais triste do que isto.

O lugar da gente
agora é um museu
agora é um cemitério
agora ele chove
agora ele é escuro
.
.
.
agora eu choro...
tive de passar
por uma avenida
com o seu nome
e ela levava
o vilipêndio ao acaso

quinta-feira, setembro 28, 2006

todo o dia... tudo tão bem!

Desculpe-me mas
eu não me impressiono
com agulhadas, farpas e com maldade
nada disso atinge o meu peito blindado
você sabe disso
você devia saber disso
.
.
o que me impressiona,
eu suspiro,
é o sunday compartilhado
é a bondade
é o sorriso
e todo o dia
eu penso, penso nisso!
e aí, suspiro de novo
tudo fica novo
para mim!
e aí, todo o meu dia ruim
todas as coisas ruins
desaparecem
e basta isso
para derreter a minha blidagem
e o meu coração
.
.

sábado, setembro 23, 2006

rodas do terror, rodas do terror!... e me dê um beijo!

Rodas do terror, rodas do terror, rodas do terror
...E me dê um beijo!...
satisfeito,
estou bêbado
e assim vejo o lixo que você é.
E quer saber?
Foda-se
Rodas do terror, rodas do terror...
não me importo
você é imbecil, idiota e ignorante
bêbado, você se cobre de luzes
e se transforma
no que eu sempre quis
ainda que eu lhe enxergue
como a bosta que você é
maaaaaas:
rodas do terror, rotas
rotas, rotas...
eu lhe amo como mulher
e você me despreza como homem
como vagabundo
imundo
e no fundo:
as rodas do terrror giram
giram em falso, como algo que não importa
mas, idiota, você importa ra mim!
e, porra, como importa!...
eu te amo, diz o filme
eu te amo, digo-lhe agora
eu te amo, embora você não acredite
eu te amo, infeliz aborto
eu te amo
lucidez
estupidez
roda do terror
que gira
esmagando-me
jogando-me
com meu sexo
pulsando por você
com todo o meu coração
esmagado
trucidado
por você, idiota!
IDIOTA!
Não percebe isso?
ou só esperará
quando a roda
parar de girar
e eu parar de ter amar?

domingo, setembro 17, 2006

retrato em azul, gelo e saudade

Cortar-se todo o laço
um terreno condenado
mal pude crer, mal pude crer
o que antes era diversão
e agora não posso mais entrar
...

quarta-feira, setembro 06, 2006

palavras roubadas da poeira (escritos por Josiel há um ano)


parece-me que estou
cometendo uma grande bobagem
igual a tantas outras
mas algo diz que estou
no caminho certo
e assim sigo
com o meu faro
a trilha de chuva que já vem
molhar meu jardim morto
e essa doçura se espalha no ar
como gritos de crianças
jogando futebol debaixo da tempestade
e mesmo em tempo instável
sempre é tempo de recomeçar
15:1919/06/2005



Josiel: Mau tempo
sentimento instável
ler em cartas
o que ainda não está escrito
uma voz autoritária
fere meu ouvido
mas ela vem
de meu coração (surdo)
entre linhas
entre duas meninas
phantom
arco vortaico.
sol de outono.
clareza de idéias.
a luta é cansativa, mas é boa.
Olhar.
pessoas incidentais.
música sem letra.
phantom.
um ângulo obtuso e distorcido faz o meu pescoço torcer impossivelmente para o passado e lhe dizer: hello, I love you! Encerro essa noite agoniante de insônia entremeada pelas vozes do sisters, the cure e siouxsie... fecho-me como um vampiro feito de escuridão sólida, e revejo essas palavras tortuosas que muito pouco têm a ver com a serenidade estampada em meu rosto. Afinal, se assim é, é porque no céu claro que avança a tempestade como um vidro de nanquim gigante derrubado sobre o nada que nos protege do nada.YYYEEEEEAAHHHHHHHHHH......
"o jardim das delícias está na desobediência que fecunda o inferno".Jolene, Jolene, jolene...

as trevas são o hálito do dragão. Dancemos na garganta dele, e brindemos a noite
00:0208/05/2005

apagar

Josiel: estranho escrever um recado para mim mesmo. Mas nessa noite estranha sinto-me estranhamente motivado a pensar em impropérios aprisionantes... ontem fez 60 anos do fim da II guerra, e é na madrugada que os fantasmas vêm até mim como divisões de soldados invencíveis. será que também eu não sou um deles? Um quasar há muito extinto, cujo brilho atual são reminiscências de um passado distante...

frio

Deus, eu estava tão perto!...
tão perto!...
e agora tudo parece desabar

domingo, setembro 03, 2006

terça-feira, agosto 22, 2006

quinta-feira, agosto 17, 2006

bom apetite

a verdade é tanto mais dura conforme seja mais indigesta.
teremos estômago então?
valerá a pena digerir amargura?

quarta-feira, agosto 09, 2006

sol soviético

sol soviético
fimda tarde
escura pare de prédio
céu
de cidade
ver
melha
sol soviético
democracia
letra ída
escombro
demon
lição
prédio ódio
sol soviético
e o sol soviético
numa ver
verdade
de pessoa
insegura
num
inferno cubista
cabem quanto?
num sol-viético
amém
amém!
amém...
e a mim,
que parto
e tiro
e infarto
de coisas
dum coração
vermelho
vermelho
soviético!
coisa vermelha
a paixão
e o céu
cedeu
de inverno
o calor
do verão
ora essa,
estamos em
desgosto
de 2006
e somos
sumimos!
assustamos
a todos
os sovi
ÉTICOS!
a ética
do coração
vermelho
torturado
calado!
duro
como cortina
de ferro
escuro
de prédio
prédio soviético
e eu estou
em Estalingrado
e não é
1943
porra!
é 2006
e há tantos mortos!
TANTOS MORTOS
em meu coração
vermelho
soviético
desamparado
e seco
como o clima
dessa cidade
indoalém
do vermelho
e do escuro
e da insegurança
tanto ataque
minha democracia
é minha ditadura
são minhas botas
e minha
arrogância
intolerância
soviética
dissolver
vendo
opor
do sol
que não é
mais vermelho
.
.
.

quarta-feira, junho 28, 2006

longa, longa marcha

Longa, longa é a marcha
esse caminhar para longe de nós dois
tenho medo de ouvir sua voz novamente
pois a ouvirei daqui a alguns dias
sendo educada e sendo distante
pois então já e longa a estrada que nos separa
e tão lógica quanto os pequenos achados
que compõem meu dia a dia
dia a dia longe de você
a minha imagem mais perfeita
alguém a projetou hoje
confio em você, querida
e vejo que você fez a coisa certa

domingo, junho 18, 2006

O espelho oval
borda dourada
uma cobra
uma carta
irrespondida
uma planície de gelo
onde não se enxerga
a ausência
de um espelho
de uma companhia

sexta-feira, junho 09, 2006

quinta-feira, junho 08, 2006

Céu Desesperado em Junho

Céu desesperado em junho, tons violetas desesperados
algo queima, algo da cor do outono
queima no céu, queima no meu peito violáceo.
Sou preguiçoso, meu amor
Deleito-me deitando-me enroscando-me
languidamente
no galho daquela árvore
a qual você sabe
dedos enroscando-se
frutos? jogando-se
uma figueira branca
como osso
como cal
e frutos para gente preguiçosa

violeta

lua em junho
flutuante noturno

domingo, junho 04, 2006

espada em esplendor

Duas chamas
dançando
na escuridão
Que estranho, meu amor
você já não é mais meu amor
(há muito tempo)
mas vê-la
revela
revela-me
Duas chamas
duas velas
somos nós
e mais ninguém!
nada mais importa
por um momento
voltei a ser feliz
mas o destino de toda
vela
que revela
é apagar.
.
.
.

sexta-feira, maio 26, 2006

(saudades de um anjo) Debaixo da Estrada

O poeta, óculos escuros, lê seu jornal e fuma seu cigarro. E espera.
Eu não fumo.
E não espero.
.
.
.
Eu desespero.

sábado, maio 20, 2006

quarto minguante

No meu quarto, eu estou minguante.

Fiquei pensando no escuro sozinho.

Pensamentos escuros.

Minguantes.

A ponta da lua está ferindo meu peito.

De onde escorre Clarice Linspector.

terça-feira, maio 16, 2006

response

sou um nexus 6
Quem entender isto, me entenderá.
Completamente.

um rio de águas barrentas

nele surge uma criatura, entre o boi e um bode.
Criatura destinada ao sacrifício
nascida do turbilhão de paixões imundas.
E nada se pode fazer
a não ser se prestar ao sacrifício

sexta-feira, maio 12, 2006

monoposto

Não sei o que pensar.
Estou-lhe indiferente.
-lhe-
um dia cansativo.
mais um dia
e francamente não sei

terça-feira, maio 09, 2006

brincar

quer brincar comigo?
Perguntou o bebê morto.
Do que você quer brincar?
E uma mortalha se descobriu, revelando o calor do deserto.

mortum est

Pensando... pensando... pensamento como um navio sendo construído num estaleiro.
Pensando.
coteau twins.
aquela música.

rosas e rodas, rodas e rosas vinte e quatro vezes

Pois são rodas e rosas aquilo que se passa...
Uma canção antiga e poeirenta, destinada a outra pessoa e a um sentimento há muito apagado, mas que agora se entoa (entoa por si só) para sua rosa.
Déspota desbotada.
perfume.
Um bebê.
assusta.

segunda-feira, maio 08, 2006

Déque

O que me ocorreu no sábado
foi o ápice da falta de sentido
e tão perto
e tão... desprovido?
exercício
de como
...
não sei mentir?
.
.
.
Eu nunca sei mentir
até quando eu ensaio
acabo falando a verdade
não sei simular.
Preciso aprender isto
.
.
.
um templo
fumaça rosa
é a mesma
dos dois lugares
espíritos
levar alguém nas costas
"e quando for artista"
tirarei uma foto
e verei
o que não queria
revelação
imprecisa
ágape
iolamento
em tons de nuvem tranqüila
Eu não gostaria de ter feitos tantos monstros e de dito tantas monstruosidades. Eu não queria ter feito rascunhos com sangue e violência. Fotogenia? Areopagista.
induza-me ao erro. "Peque-me com seu olhar obscuro", e eu já escrevi esta frase em 2004.
Chuva.
Chuva...
Meninas.
Eu
e as gotas.
muitos lírios. Um só Déque. Uma canção japonesa. Atrixxxx. Monges. Calma. Repirar fundo. E se atirar ao fundo. Profundamente. Mas no lago onde estão os monges, nada se moveu na superfície negra. apenas algumas bolhas.
Algumas bolhas.

CRIAR É UM BOTÃO

Criar é um botão.
Sem sentido.
Olha, e eu bem que tenho tentado.
...

Um botão de rosa.

Inevitável, intransferível.
A cor do céu.
perigo.
você.
...
odeio-me

pensamentos escorrem

Quem sou eu e de quem você gosta?
Duas barras inclinadas. Explicação.
com//Texto.
Definições em sombra de dúvida, sombra azul.
Alguns pingos. Céu amarelo de tempestade.
Eu lhe trouxe meu guarda-chuva, amor. Mas para quê? É tão bom beijá-la embaixo da chuva...

domingo, maio 07, 2006