Segunda-feira, Maio 28, 2012
vidro verso
Segunda-feira, Abril 09, 2012
aquarela tardia
meus braços despetalam-se, azuis,
em profusão de borboletas
quando tento lhe tocar
e o que me resta
são sombras violetas
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Segunda-feira, Abril 02, 2012
Amor Agressor
Dedos tocam seu pescoço
Tudo bem, murmuram os olhos para escuridão que só eles vêem
Desde que ninguém toque mais meu coração
Pois ali é que a dor é doída
Dedos lhe tocam sem contudo nunca lhe tocarem de fato,
Outros dedos, outras pessoas,
Amores, agressores, anônimos, sinônimos
Ela continua doida, olhos fechados, dançando
Para os dedos, para os elos (roídos como as unhas de dedos desesperados).
Vidas que não são tão paralelas
Mas nunca, nunca se tocam.
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Terça-feira, Março 13, 2012
borboleta noturna
É a aparição, é a borboleta, é o meu carro, é minha preocupação
a madrugada brinca, fria e longíngua, inatingível
e o tatear no escuro; meus dedos são borboletas
meu coração, um motor furioso
Em ponto de fuga da estrada, fantasmas fogem
escadaria para o precipício
borboletas escuras, perdidas,
assim são nossas vidas
que voam erraticamente, lentas em silêncio bonito
enquanto a noite nos devora
com seu perfume de dama da noite
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Sábado, Fevereiro 11, 2012
Coração no Tridente de Poseidon
Vem e estraçalha
então não é mais um
mas muitos nas lembranças estilhaçadas
cada fragmento que ficou
logo o tempo também levará embora
mas cada qual com seu poder de ferir
de maneira única um peito oprimido
onde cada respirar é uma dor.
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(ao meu pai, falecido em 07/02/2012)
Domingo, Janeiro 29, 2012
EXTREMO
é a mente acuada
No horror extremo
a sanidade, seiva negra que se esvai
O que se sobressai é o coração que treme
nesse momento nada se teme
é a morte o que se atrai
a negra seiva turva o mundo e o município
ofegante, chego a pensar em suicídio
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Sábado, Janeiro 28, 2012
Plêiades
em meu corpo o frio da noite é entrelaçado
pelo escuro seco dos galhos sem folhas
Entrelaçado também é o sideral da noite pequena
em que uma pequena constelação
se debruça em silêncio, em desolação
escorre lenta e se esconde
ora no meu quintal
ora na palma da minha mão
ora na minha fria respiração
E toda frieza do existir
entorpece minha pele
e enobrece o desaparecimento
das minhas certezas.
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Quarta-feira, Janeiro 11, 2012
escombros no interior de uma floresta de sentimentos
não que lhe caiba, e não há amparo
onde até as asas estão mofadas
pelo frio e pela fuga, pelo esquecimento doentio
e nada em que se repare em se separar
do lábio forçado que é ferido
e pelo sangue que escorre
dentro da casa sem teto, por onde chove
por onde chora,
e por hora basta o absurdo
de se olhar para cima, de se olhar para o lado
e não ver amparo
e ser assassinado anonimamente.
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2012
o que (ela) passou
feito noite, feito poeira
esfacelando sem desfalecer
fotografia de cinza e negro
espectro calmo, terno e elegante
desaba-se, acaba-se até se consumir
até acalmar
e pairar sobre aquilo que outros evitam
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Quinta-feira, Dezembro 29, 2011
existência-hiroshima
a mente e a alma queimam.
Caminha e caminha;
vê um tronco negro onde uma andorinha fez ninho
então uma serenidade boa lhe cai como névoa;
ainda que me consuma - ele pensa
- algo de bom pode pousar na minha existência esturricada.
Segunda-feira, Dezembro 19, 2011
Segunda-feira, Novembro 21, 2011
Domingo, Novembro 13, 2011
Segunda-feira, Novembro 07, 2011
amor-ninguém
além do precipitar
afim do crepitar, e esse crepitar
que penso ser o fogo do amar
mas apenas é o arrastar de correntes
sempre o se libertar de alguém
e perceber que sou ninguém
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Quarta-feira, Novembro 02, 2011
pequeno Finados
Por cima do muro caiado, cemitério
Sopra-se sombras
Sopra-se em pequenos escombros
escondidos em pequenos soluços na minha garganta
pois tanta gente que se foi deixando esse peso
peso insuportável do vazio
vazio pavoroso cheio de coisas de lembranças
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Quinta-feira, Outubro 27, 2011
Gomorra da saudade
Olho para trás
não há sal ( a não ser nas lágrimas)
viro uma estátua de açúcar
e derreto-me
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Sexta-feira, Outubro 14, 2011
Sábado, Outubro 01, 2011
Domingo, Setembro 18, 2011
coroa de estrelas caídas
rastro, faísca
guirlanda de brasas
coroa-lhe a cabeça
Ela é um alvorecer de dor
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Domingo, Agosto 28, 2011
assalto
Coberto vulto papel soprado
Face mordaça
Branca, fantasma
E pelo resto
Resto desonesto
Do que fica e de quem vai
Papel, papel
Roubado é dinheiro, papel de vítima,
Mordaça de papel,
um vulto de papel
Parei
Respirei
Suspirei!
pensei...
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Levou apenas dinheiro e não minha vida!...
Segunda-feira, Agosto 15, 2011
flor do fim da noite
Era uma mariposa ou uma fada?
O que se sabe é que caía no escuro
Com as asas queimando como papel
Flutuando pela última vez
Antes do silêncio engolir para sempre
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Segunda-feira, Agosto 08, 2011
Satélite Destroçado
Dor em pedaços
Dormem despedidas
Desfaça-se quem
Sequer teve nome
Depressão? Talvez fora o remédio
Despetalou a chama
Que sangrou o céu
Estrela despedaçada
Alma arruinada
Com extrema calma
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Para xx, que teve um aborto espontâneo
Domingo, Julho 24, 2011
Quarta-feira, Julho 06, 2011
Domingo, Julho 03, 2011
amor às cegas
Escutai-me; a margem, agora
Inoportuna imagem
Galhos negros no fundo escuro a rabiscar
Lentos, minhas maneiras de te amar
Domingo, Junho 26, 2011
Enclave Cultural
A que resisto?
Por que insisto?
Enclave em solo inimigo
Sol aterrador
Soterra-me, sinto pavor
Embora criar seja existir num
Empório feito arame farpado
A me rodear, a me proteger, a me ferir
A me delinear e a me delimitar
E a me limitar e a me entristecer
Dentro, o nada cruel
E fora, o abismo que em nada ajuda
Mesmo assim, continuo enclave
E não lavo as mãos de ninguém.
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Quarta-feira, Junho 22, 2011
Segunda-feira, Junho 06, 2011
frio açoite
Tropeço, e não há mais rua
Ou nexo; apenas a obscura face
Do desabrigo
Na noite.
Sábado, Maio 28, 2011
dorso magro, nu, mãos na pia, frio, olhando o reflexo
Urgência nada parcimoniosa
Urgência, urgência,
Bebo no espelho não mais a minha, mas a tua imagem
E na margem do olho manchado,
Borrões de saudade urgente
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Segunda-feira, Maio 02, 2011
Homem-outono
(tal meus olhos)
E da esperança-primavera viva meu coração,
Em verdade sou o homem-outono
Só tons acres; olho em torno:
Atrás, o contorno de minhas pegadas
Elas tem cheiro de flor noturna
- dama da noite, talvez;
Indicando que o poente já se desfez
E anoiteço-me
Domingo, Abril 24, 2011
Plutônio
Alimenta-se de porções de madrugada
Coração desgraçado,
Amaldiçoa-se a troco de nada
Coração plutônico,
Irradia negras influências
Coração antigo,
Beija o inimigo,
Coração perdido, ferido, fodido
Teu castelo feito de muita dor
Ainda é o melhor refúgio
O que está interno ( ou pequenas gotas)
Inexplicável
Indomável
Intratável,
Porquanto
Adorável
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Sábado, Abril 16, 2011
Quasar
Queimar
Estar, pulsar
Esquecer
Qualquer
anoitecer
Quase a pulsar
Quase a queimar
De uma maneira qualquer
Por qualquer um.
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Sexta-feira, Março 11, 2011
Tocar-te, a arte e a fuga
e não era flor
erramos
o dedo toca dor
suspiramos
olho em derredor
derretemos
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Quarta-feira, Março 09, 2011
amor cego, morcego
misticismo
distanciamento
ceticismo
alento
ostracismo
lenta, lenta
e cismo
quando venta
enquanto sinto
a flor e o absinto...
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Domingo, Fevereiro 27, 2011
Domingo, Fevereiro 06, 2011
incerto deserto
Caminheiro esquálido,
Passos escuros
Ecoando insuportáveis,
Como gotas de existência,
Existência gasta
Desgosta
Suspira
Instiga
E segue,
Deflagrando,
Sangrando
Amando.
Segunda-feira, Janeiro 31, 2011
Pequena Delicadeza.
Réstia na
Pétala da
respiração;
Da pele
nua
Cintila flor
Espere por
o lábio
em
seu amor.
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Domingo, Janeiro 23, 2011
nuance
Eu não sei do meu.
Bolor,
Isto lhe aconteceu.
Mágoa, mácula, pequena mágica, e o
Amor
Desapareceu.
Segunda-feira, Janeiro 10, 2011
A resposta
A lâmina da represa sob o Sol; um café à margem da represa. Ele sentado ali vendo a lâmina, vendo lâminas, lâminas, lâminas.. Mãos cruzadas sobre a mesa Seu terno cor de grafite; e ele era tão jovem, e tão bonito Sua boca quase feminina de tão bonita, seu olhar assustadoramente profundo, suas sobrancelhas grossas e expressão severa, grave, inteligente, triste, fria e distante no rosto magro, e a menina podia observar tudo isso nele. A menina. A represa. A lâmina. Mãos cruzadas; vidas ainda cruzadas como mãos, como dedos de um aperto de mão que se desfaz.
Pergunta:- Você continua doando sangue?
- Sim. Acredito no amor ao próximo.
- Suponho que ainda seja voluntário.
- Sim.
- É, eu imaginei que você continuasse gostando de ajudar pessoas
- Pois é- E andam comentando cada vez mais do seu trabalho... é muito bom...
- Eu sei...
- Você é inteligente. E é legal conversar com você.
- Ora, obrigado.
Silêncio.
Ela olha para o chão Mais silêncio. Uma represa cheia. E então ela perde o controle, transborda e avança furiosa para ele, o segura pelo colarinho e o sacode com ódio, com os olhos transtornados de lágrimas e pelo colarinho e o sacode com ódio, com os olhos transtornados de lágrimas e ódio:
- ESCUTA AQUI, SEU FILHO DA PUTA, EU ME ODEIO POR NÃO TE AMAR! VOCÊ É O FILHO DA PUTA MAIS LEGAL QUE EU CONHECI, E MESMO ASSIM, NÃO ADIANTA; EU NÃO CONSIGO TE AMAR! PODE ME EXPLICAR COMO É POSSÍVEL UMA DESGRAÇA DESSAS?
Ele tira um cigarro do terno amarrotado pelas mãos trêmulas dela. Vira a cara, acende o cigarro, sentindo o corpo ofegante dela sobre o dele. Dá uma tragada e solta para o alto uma longa e pensativa baforada. Em seguida olha para ela:
- Eu não sei.
Ela dá um beijo furioso na boca dele e em seguida um violentíssimo tapa. E se vai Ele continua parado, uma mão sobre a mesa, outra a segurar o queixo de uma maneira elegante, e entre os dedos dessa mão, o cigarro. Pensando.
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Sábado, Janeiro 08, 2011
vestido rasgado pelo espinho da rosa dos ventos
Estrada
Estrela
Extinta
Exala
A ela
Névoa,
Rosa e
Espinho
Estrela malévola;
Estala
Suspira
Espera o
Desatino
Ousa
Restinho de
Noite,
Rastilho
Verpertino
trilha de
Migalhas de penumbra
Fazem a seda
Do teu vestido
Madrugada sem sentido
Eu sinto
Só isto.
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Domingo, Dezembro 26, 2010
microcréditos à morte
Dilacerada
Escultura
Folheada
Negro'ouro
Atormentada
Viajante
Velejada
Mau, bom agouro?
- Não lhe diz nada
Estatueta, minha mão
No mistério
Suspiro, amo
Invejo
Trovejo
A roubei
Do cemitério
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Quinta-feira, Dezembro 02, 2010
A origem dos oceanos...
(ouvindo e vendo o videoclipe =Atmosphere" do Joy Division)
Alguém que vive num mundo seco, onde as pessoas são secas.
Tudo seco e silencioso.
Essa pessoa começa a chorar silenciosamente. Por ela, pelo mundo, pelo nada.
E chora e chora. Mas não há tristeza em seu olhar. Apenas o vazio.
E as lágrimas invadem os vazios, e assim surgem os oceanos. E todas as outras pessoas secas vão para as praias se molhar um pouco.
Josiel Vieira de Araújo
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Quinta-feira, Novembro 25, 2010
Um café à beira do inferno
Josiel
Num lugar agradável, entre as dimensões, aquém do tempo e do espaço, Deus estava sentado calmamente tomando sua habitual xícara de café.
Um cotovelo na mesa.
Uma mão segurando uma das faces.
Olhando, sossegado.
A pequena colher que mexe o café preto na xícara.
Aroma bom.
A espuma foi virando, lentamente, uma espiral.
E Deus olhava.
A espiral difusa e lenta, boiando na negritude.
A espiral de bilhões de estrelas chamada via-láctea.
Ele a achou bonita.
Deus estava sossegado. Uma das mãos no rosto. Observando calmo sua xícara esfriar um pouco. Vendo também seu reflexo na superfície negra desse estranho café chamado universo onde uma pretensiosa espuma chamada via-láctea boiava.
Alguns momentos. Bilhões de anos. Dezenas deles.
Então ele bebeu.
O universo não implodiu, como se pensava.
Apenas ele foi para o interior de Deus, que ficou com um gosto amargo na boca.
FIM
escrito por Josiel Vieira de Araújo
Sábado, Novembro 20, 2010
sem luz
É assim uma nudez tão divertida
Tão muda, tão muda, e nada surda
Pois não ouve o que talvez pudesse dizer
Sem ser sórdido, cínico ou dispensável
E é impensável, esta falta de seara
Em tuas palavras... cada uma delas uma monografia
Um estudo. Um estupro. Um estado de sítio em torno
da alegria que os outros possam ter
De serem felizes
Parabéns, professor universitário
um prêmio (literário?) conseguiste
Escorrendo do estuário
Da tua impotência.
Sexta-feira, Novembro 19, 2010
Domingo, Novembro 14, 2010
Segunda-feira, Novembro 08, 2010
vamos
Solitários, assaltam a madrugada e roubam o Sol
E jamais possamos parar
O que ara a terra são nossos pés soltos
E a seara da liberdade é nosso caminho
Quarta-feira, Outubro 27, 2010
sirenes
Intenso
Do início.
Extenso, extenso
Precipício.
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Por quanto me valho
Portanto me jogo
Um tanto sou folha
Em pranto lhe beijo
Já não tenho escolha
Acenando lhe deixo
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Não há mais silêncio,
Todo som tem gosto pavoroso das sirenes
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Segunda-feira, Outubro 18, 2010
Narciso da madrugada
E minha alma já não vale nada
- quando me aproximo do calmo lago negro,
(a noite faz as vezes de espelho d'água)
Debruço-me para ver meu reflexo
E o que vejo é uma flor de lótus
A boiar, a sobreviver,
Sobre um abismo de podridão.
Segunda-feira, Setembro 20, 2010
degregado
Vive-se em degredo
Guarda-se de cor
Ainda que se desbote
A flor e o batom
Assim, no jardim, ai de mim!
Que não sei o que era pétala
E o que era teus beijos...
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Domingo, Setembro 19, 2010
paleta de sombras
artesão das palavras,
e lá fora nada me acalma.
desarma, silêncio, acaba
desagua desaparece e respira
respira um eterno sufoco
murmúrio, tateando no escuro
as letras para se escrever a doce agonia
insônia azul
duma penumbra violeta
eu tateio, procuro formar palavras
mas na escuridão do tempo o que encontro
é um rosto
o teu rosto.
Segunda-feira, Agosto 30, 2010
Cheiro de Chuva
Cheiro de chuva
Chão de terra
cheio de ar,
respiro.
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Tenho 17 anos,
estou sem camisa.
Sinto no corpo quente de sol
as primeiras gotas geladas
Estou jogando futebol.
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Todas as nuvens são vermelhas
O chão de terra é vermelho
e meu corpo magro ainda não é velho, está vermelho;
e brinco com meus velhos camaradas.
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E meu coração brinca comigo;
onde estará ela?
As aulas acabaram e ela se mudou.
E brinco e brinco,
Coração dói,
não sei se de alegria ou se é de tristeza.
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Trovões! O pessoal está a gritar a cada um deles.
O cheiro de chuva aumenta,
tudo vermelho: céu, terra, corpo e alma.
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Como é bom amar alguém
e como é triste saber que esse alguém não sabe disso.
Talvez nunca saiba, e esse pensamento me corta o peito
Como o relâmpago que risca o céu, que de vermelho
começa a ficar azul-escuro de chuva.
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E o aguaceiro desaba, todos nós gargalhamos
Os cabelos molhados nos escorrem pela testa
Continuamos a jogar.
O chão se empapa d'água.
Que bom que chove,
pois ninguém percebe que choro.
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Quinta-feira, Agosto 05, 2010
Soprar


Dizem que os cometas
com o qual fecundam os planetas.
Entenda como é a dinâmica:
Existe uma criança chamada Deus.
Ela pega entre seu jardim de estrelas
um dente-de-leão astral
e sopra
espalhando sementes de luz
no escuro chão arado chamado universo.
As sementes (cometas!) bailam no nada,
brincam lentamente
até serem atraídas por um mundo
e a história a seguir é conhecida de toda a gente.
Amar é mais ou menos assim;
sopra-se as sementes no ar,
uma trilha invisível de amar
e onde elas vão parar?
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Quinta-feira, Julho 15, 2010
Sábado, Julho 03, 2010
sinônimo
E o que tinha de ser se foi
O que podia parecer
esteve a entristecer
E o que esteve a empalidecer
empalideceu no próximo
próximo ao certo
descobriu que o certo
nem ao certo é a verdade
e se foi
caminho verde
nua e crua
inverdade
inverso
ao interno
ao outono que se findou
ao palpável e não provável
se foi
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Sábado, Junho 26, 2010
coisas noturnas
Suave Fada Lunar
passeia na penumbra
do muro do cemitério.
ela viu um gato preto
e o gato, que mistério!
olha para o nada.
E mais adiante o casal namora.
mãos dadas,
namora no muro
caiado,
lugar escuro,
casal calado,
do lado
do gato
da fada
tocando o absurdo
silencioso
A fada passou por eles
-nem notaram.
O gato continuou olhando para o muro
não se importaram.
só se amaram e se amaram
E a noite seguiu seu curso:
silenciosa,
misteriosa
e saborosa;
sabor ermo
como um beijo do sereno
trazido pela fada
como o engraçado do rabo do gato balançando sem sentido
como a calma respeitosa do muro do cemitério
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Domingo, Junho 13, 2010
Não obstante, o sopro
Pessoa sonora caminha
Pessoa feita apenas de sons.
Não há corpo
Há apenas sons unidos
feixes sonoros
Pessoa sonora caminha
é apenas algo menos que um rabisco
um esboço, mais ainda assim um risco.
Ser sensível é um risco.
A pessoa sonora é feita de vários sons:
Gritos de ódio, de agonia, de dor
Invisível
sussurro caminhante
sussurro de amor e gemido de paixão
gargalhadas são suas juntas
seus pés, cochichos
seu olhar é a voz da pergunta
Mas, pessoa sonora;
A sua boca é muda.
Quem pode lhe escutar?
Quem pode lhe ver?
Mas isso realmente lhe importa? Acho que não.
A pessoa sonora muda
não obstante, é o sopro de Deus.
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Terça-feira, Junho 08, 2010
Ao cair
Ao cair
solo inclinado
Ao cair
também sol inclinado, outono
Ao cair
das folhas desta assombrosa floresta cinzenta
eu vi
que não eram folhas ocres
mas cobriram todo solo
meus pés quase afundavam nas folhas mortas
que não eram folhas.
Eram cartas de tarô.
Viradas para baixo, apodrecidas devido à umidade
E continuavam a cair das árvores escuras ou cinzentas
Ao cair
lentamente
num calmo caos
Abaixo-me
Minha mão ao cair
tira um arcano: 19, O Sol.
está frio, minha mão é gelada, meu hálito se espalha no ar
tropeço em outro arcano: 01, O Mago.
Eu tropeço, e ao cair,
Ao cair,
sinto o frio da camada das cartas apodrecidas sob minhas costas.
Olho para cima,
os galhos horripilantes se trançam sobre o céu
Deles uma calma, calma chuva de cartas escuras cai.
Meu coração bate com força
Quase compreendendo o significado desse sonho que tive
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Domingo, Maio 23, 2010
Entorno lunar
No entorno,
entorpecimento.
É frio e bonito
O contorno da lua.
E morno o que
escorre pelo rosto pálido,
sentimento obscuro, rabiscado
donde o disco lunar paira.
E...
Para a dor da saudade
não há suborno
e nem quem suporte
algo como um
pequeno animalzinho
branco morto.
E isso é a
Dor de Tristeza
apenas continuamos
para não esquecer.
Apenas continuamos por continuar,
vagando vagamente
pelo entorno
rabiscado
frio
pálido
e
distante.
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(Para Pimenta)
Quinta-feira, Abril 22, 2010
poente outonal
Terça-feira, Abril 13, 2010
Lua minguante
Treme como
a bandeira do inferno.
É a noite em tua cabeça,
um feixe, um facho,
tênue, terno,
interno
inferno é assim.
Treme como uma bandeira
ou como teu peito arfante
e teu olho
virou lua minguante
ao sentir a pequena coisa que doi
e achas belo assim mesmo.
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Domingo, Abril 04, 2010
Além do círculo
círculo de sal
e a lesma dentro:
ou ela enfrenta seu mal
- a esmo, só derretimento
ou ela morre acuada no centro.
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(muitas vezes para escapar à aniquilação é preciso ultrapassar aquilo que irá com certeza nos machucar.)
Segunda-feira, Março 15, 2010
outono relacional
Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010
Hífen-homem
que une
o que separa
Hífen, ponte gráfica
entre coisas impossíveis
Quer um exemplo? "amor-perfeito"
Hífen, belo disparo da língua
acertando o meio
acertando em cheio
o verbo alheio.
como uma ponte sobre o gelo
o gelo do branco da página
e o gelo do que era é não é mais
A exitência se furta
Hífen se finda
nos "ex-amores" e coisas assim.
O hífen é tentar encobrir o hiato
que há entre os seres
que coexistem entre si
.
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Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
pied-noir
Aterrador;
As manchas no Sol
são pegadas
deixadas naquele deserto de luz
pelos pés negros
de Albert Camus.
Aterrador:
A existência é um disparo
entre
o Absurdo
e o
Obscuro
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Sexta-feira, Dezembro 25, 2009
Camille Claudel

A vida esculpiu Camille Claudel,
Lentamente.
Ferramenta afiada, cruel e fria
Foi deslizando, nela, pelos anos.
Para ela, esculpir foi retirar.
E dela, tudo retiraram
Numa lenta erosão.
Um gotejar cruel
Um martelar initerrupto
silencioso, mas que ecoava
E ela sentia.
Amor, sanidade, esperança:
a cada estocada da ferramenta, essas coisas caíam
como estilhaços
como entulho
sem fazer muito barulho
tudo foi embora.
Só sobrou Camille Claudel
Lapidada pela desgraça e pelo infortúnio
E muito maior que as coisas que a feriram
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Fio de Ariádne
O Nada é um oceano ainda pior que um coração vazio, ainda que tal coração, como assombrosa embarcação (fantasma) tente navegar por tal mar de tormentas, e por um instante se advinhe as profundezas abissais que se escondem neste mar que se contempla ao ver e não ver que há coisas que não fazem sentido - ainda que sentimos intensamente algo que não faça sentido, por incongruência poética que possa haver, e o que somos sem essas incongruências que nos fazem entorpecer por um ou dois instantes?
No Vazio tateamos.
E...
Prata é a cor do fio que emerge da escuridão.
O fio fibra, como a corda rasgante de um violão.
É pouco, é piegas, mas vibra como nosso coração.
Tateamos.
Pegamos o fio.
Dedos trêmulos, Respiração ofegante.
O fio desliza entre o polegar e o indicador.
E vamos seguindo, querendo uma saída para além do escuro.
Mas nunca saímos die lá.
Ficamos com um aperto no peito - "angústia", como diriam os antigos romanos.
Pois não sabemos se o que temos é o fio de Ariádne
Ou o fio de uma gigantesca teia de aranha onde ficamos cada vez mais presos.
Mas o sangue que escorre da mão indica:
O fio é o arame farpado do início
É o quadrilátero de nosso vazio
E ainda assim, consciente fio,
a única coisa que nos impede que caiamos diretamente no Nada.
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Josiel Vieira de Araújo
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Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
cidade lúcifer
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Esquecimento Global
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
nesta
Não fique em silêncio nesta noite
Não fique em silêncio diante da morte
Um incêdio fecha as janelas
E nada saberemos
pois estamos de olhos fechados, em silêncio
e não beberemos dessa prece
e sim do que escorre pela face
pelo silêncio
da noite
da sorte
e por onde o abraço
o nosso abraço
tenta nos esquecer de nós.
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dedicado à muita gente: ao Cazuza, e a uma amiga querida que se foi semana passada, dona Zaze.
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Sexta-feira, Novembro 13, 2009
íris em arco
Olhar obliterador
que destrói em calma
o que fica entre o óbvio e o oblíquo
e o que se desconstrói
aos poucos se fecha
num passo aterrador.
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tardia ardente
amálgama
frases que se guardam entre os dentes
um dia elas escapam
escorrem
pela pele
em diferentes arrepios
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Sábado, Novembro 07, 2009
Erosão
ei, garoto,
no dia a dia
do teu relacionamento
Incorre-se no desgaste das juntas
e o se estar junto se dissolve.
Mas... ei! Ei, garoto!
você criou um monumento de si mesmo
que diminui a cada dia,
corroído e remoído
tudo vira areia e ferrugem
soprado para longe
soprado por teus mumúrios
e nem culpe o vento por isso
você bem sabe, garoto;
você é quem sabe.
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Quarta-feira, Outubro 28, 2009
confessionário do tempo
Suspiro;
Eu me tento.
desenterro,
questão de tempo.
lembrar é um alento
um pequeno desespero.
Vulto lento,
escapando
pelo caminho branco
pelo tempo velho
e o branco se escurece
se perde
Ate ficar do tamanho
dos meus olhos fechados.
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Domingo, Outubro 25, 2009
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
Rosácea Violeta
Sábado, Outubro 10, 2009
Janaína
Da árvore da noite onde brotam luzinhas coloridas e alminhas
Colhemos essa neném.
E o papai e a mamãe tomam chá de estrelas verdes
toda vez que olham, embevecidos, ela dormir.
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à minha filhinha Janaína.
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Sábado, Outubro 03, 2009
Ente
Um encanto lhe beijava
Espanto você traria
Portanto levitava
Entretanto você fugia
Ontem eu lhe amava
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Sábado, Setembro 26, 2009
desobediência emocional
Aprender é generalizar
e generalizar é não enxergar
o que é íntimo.
A intimidade não se ensina,
apenas se toca
delicadamente
por alguém
que se perde
e se enlouquece
o suficiente
para tanto.
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Terça-feira, Setembro 22, 2009
Calmo Eqüinócio
Uma voz
Sua vez
Não mais a sós
Talvez
Amor é para nós
Ao invés
da dor atroz
um viés
algo veloz
nos atinge
e nos abriga
embaixo
dos lencóis.
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Quinta-feira, Setembro 10, 2009
cigano fogo
Escuridão.
E um clarão laranja.
vento, fagulhas
que dançam como fadas
Atrás delas, o som.
jovem cigano e seu violino
a música se derrama
pelos copos,
pela branca lua,
pela pele,
pelos corpos.
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Segunda-feira, Setembro 07, 2009
neuropatia masculina
Nós, os homens, acomodamo-nos atrás de nossas fardas
Nós, os homens,vivemos detrás de nossas farsas
nós, os homens, sangramos (e não amamos) por culpa dessas farpas
nós, os homens, nunca amamentamos
nossos armamentos e nossas donas de casa
nosso medo e nossa insegurança
nus estão os homens
bem mais que as meninas das revistas
que eles vêem com desejo e tristeza
pois não há mais encanto
na incapacidade de vermos
os vermes que corróem
nosso coração
nosso sexo
e nossa solidão
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Sábado, Agosto 29, 2009
Ipê de Cemitério
ipê amarelo
dentro do cemitério;
-Não se leve
tão a sério .
"Peque-me"
com seu pensar
escuro.
Eu amo
os mortos
que há em
sua cabeça
tão pensante
tão amarela
e seu coração
de amores mortos
vivos
vampiros
que assombram
a mim.
Quando eu
alimentarei
também
as flores
do seu mal?
Invejo quem
que lhe deixa
com esse olhar
triste e belo
olhar amarelo
como um ipê
no cemitério.
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obs: essa poesia eu fiz no início da primavera brasileira de 2004. Alguns anos foram sepultados desde então, e por entre a fissura deles surgiram novas flores de ipê...
Sábado, Agosto 22, 2009
Imigrante Ilegal (Impressionismo)
A sós
no salão dos Recusados
Dançemos
Pairamos
de maneira doce
boa penumbra
Nosso salão
abre o coração
onde nos refugiamos
recusados e refugiados
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Quarta-feira, Agosto 19, 2009
Costura Mágica

Tempo,
Tecem-se os anos,
E assim nos tocamos,
pegamos a mesma tesoura,
fazemos nossa costura.
Vamos tecendo,
e que belo tecido,
fino redilhado,
alguns acham que é uma mortalha,
mas não lhe damos atenção
é a nossa costura mágica.
Num rosto sem rosto,
a aragem, a coragem, o move lentamente,
e nada é mais sincero que isto.
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Domingo, Agosto 16, 2009
Lua Cheira
É uma grande flor amarela
Cheiro de lua.
Respiro fundo,
e você não tem nome, apenas um sussurro.
Eu não sou nobre,
apenas entorpecido.
Entorpecido e convencido
que de noite o que respiro
é amor,
é você,
é a flor redonda,
feita das pétalas de todos os primeiros beijos.
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Sábado, Agosto 15, 2009
estrela embolorada
estrela embolorada,
tinge de dourado bolor
as árvores tranqüilas do hospital
onde os doentes morrem em tranqüilo desespero
no ocaso da tarde e da vida
estrela empoeirada,
não atinge a delícia da poeira fina da poesia
cebola descascada,
faze chorar de maneira ardida,
à semelhança dos que padecem
sem pele
sentindo o sal
das lágrimas a rolar
rosto abaixo
peito nu
arfante
e salpicado de colorido bolor
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Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Não seja Chic
- apenas seja
E creia-me,
isto já é doloroso o suficiente.
Apenas seja,
e quando a moda é morta
surge, selvagem, existencial
o que é original
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Terça-feira, Julho 28, 2009
ex poente

A tristeza é uma ponte para se escapar da dor
e à dor a gente vai para não ver a verdadeira angústia
e a angústia, ah, a angústia...
essa a gente contempla
com as mãos no rosto
debruçado que estamos
no parapeito da ponte já citada
E eis que lá estamos
na ponte enferrujada.
E começamos a entardecer
E estamos sós com nossos remorsos
Mas eis que fazemos uma tarde morna
morna como o rio sob a ponte
Um rio calmo.
De lágrimas mornas.
Eu rio, eu salvo...
as águas mortas
águas turvas
rosto poluído
que enferruja
a ponte
e o poente
e o pedinte
que se despe
e se despede
e se despedaça
numa fuligem
que doura o céu
que fica vermelho, dormente, dormente
até que tudo turva-se de vez
e foi a vez de se ver
que tristeza, dor, angústia e todo o resto
se fundem
se confundem
e tudo fica belo
e perdido.
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Quinta-feira, Julho 23, 2009
plástico noturno
íris desfeita
enfeita o viaduto
a feiúra urbana
noite chuvosa
menina nervosa
plástico é estupro.
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Terça-feira, Julho 21, 2009
C o r o n a
A deusa morta:
o que ficou
o azul do céu
uma coroa
e o seu olho preto
- é o eclipse.
Adeus, amor;
A deusa morta
nesse inverno
nos olha
devemos dar
as mãos
e esperar
juntos
pelo adeus.
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Sábado, Julho 18, 2009
Halo
A fumaça nos cega,
Um pórtico se desenha, crepitando,
mal discernível
e por ele vemos
Um halo em volta do Sol.
E a fumaça vem das folhas secas,
vem das oferendas aos deuses,
vem dos nossos sonhos queimados
e se interpõe às nossas chopanas queimadas
por nossos inimigos.
Logo, logo, o vento varrerá a fumaça
e o tempo nos esquecerá.
Mas o halo, o halo...
temos um instante de paz.
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A Catedral de São Pedro em chamas
O que podemos fazer diante dessa luz terrível,
a não ser apresentarmos nossas trevas sinceras?
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Sexta-feira, Julho 10, 2009
Anúbis
Anúbis
Veja a fogueira
na curva do caminho escuro
tremendo tal uma bandeira
e iluminando o uivo noturno
do coiote humano.
Ele uiva a canção da liberdade
que tanto lhe fere quanto lhe cura
como a lua, que não é sua
mas sem ela, sua verdade
se desvanece.
A fogueira-gêmea são seus olhos
estão em brasa tamanho é seu ódio
o venderam como a um escravo
como irmãos podem fazer isso?
(seu uivo troveja; alguns pensam
que é um deus com cabeça de chacal)
Por fim, a dor é tão intensa
que ele cai; mais um a tentar...
A lua então aparece depois do eclipse
e sua luz fugidia
se derrama sobre o corpo frágil
e nu e inerte
da pobre criança que nada soube
do não-saber
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Também é usado o simbolismo do signo de Aquário, que também permeia o simbolismo de José.
José foi o 11° irmão, todos filhos de Jacó - o Jacó que viu a famosa escada espiral de anjos, que depois inspiraria desde algumas pinturas do escritor e poeta místico William Blake, até a música Stairway To Heaven, do Led Zeppelin.
A história de Jacó também é profetizada no livro apócrifo de Enoque, um livro obscuro cheio de passagens ocultas e referências místicas.
Também coloquei uma imagem que me impressionava muito na época. Eu então pegava o ônibus "309-T" cidade tiradentes, que passava ao longo da avenida Aricanduva, uma avenida em sp que margeia grande parte da mata Parque do Carmo. Por causa de imensa floresta , denoite a região é completamente escura, chegando a dar um certo medo. A uma certa altura, havia sempre alguém que queimava fogueiras na curva da avenida, perto de onde hoje é o famoso Kazebre Rock Bar. Em meio àquela escuridão, ver aquelas fogueiras, como dois olhos flamejantes brilhando vermelhos e furiosos na noite escura, discernindo a curva da avenida em raias de luminosoidade vacilante cor de laranja, me impressionava bastante.
Cumpre lembrar que meu signo é Aquário e na época eu me sentia preso a certos sentimentos agoniantes.
De tudo isso veio a inspiração para escrever essa poesia, a qual nunca publiquei antes.
Cumpre lembrar que as rimas foram automáticas, eu não pensei para fazê-las.
Josiel
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