Cada poente
Calada ponte, beijo suave ,
Calda laranja
Carícia soprada
Desarma-me a alma
suspiro e vejo;
já não tenho pressa para nada
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(foto tirada por Josiel dentro do ônibus, por do sol na zona Oeste de São Paulo)
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poesias criadas por Josiel Vieira de Araújo

ipê amarelo
dentro do cemitério;
-Não se leve
tão a sério .
"Peque-me"
com seu pensar
escuro.
Eu amo
os mortos
que há em
sua cabeça
tão pensante
tão amarela
e seu coração
de amores mortos
vivos
vampiros
que assombram
a mim.
Quando eu
alimentarei
também
as flores
do seu mal?
Invejo quem
que lhe deixa
com esse olhar
triste e belo
olhar amarelo
como um ipê
no cemitério.
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obs: essa poesia eu fiz no início da primavera brasileira de 2004. Alguns anos foram sepultados desde então, e por entre a fissura deles surgiram novas flores de ipê...


Anúbis
Veja a fogueira
na curva do caminho escuro
tremendo tal uma bandeira
e iluminando o uivo noturno
do coiote humano.
Ele uiva a canção da liberdade
que tanto lhe fere quanto lhe cura
como a lua, que não é sua
mas sem ela, sua verdade
se desvanece.
A fogueira-gêmea são seus olhos
estão em brasa tamanho é seu ódio
o venderam como a um escravo
como irmãos podem fazer isso?
(seu uivo troveja; alguns pensam
que é um deus com cabeça de chacal)
Por fim, a dor é tão intensa
que ele cai; mais um a tentar...
A lua então aparece depois do eclipse
e sua luz fugidia
se derrama sobre o corpo frágil
e nu e inerte
da pobre criança que nada soube
do não-saber
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