(des)cobrem um eco cinzento
verso verde
íris morta
verdade perdida - nunca esteve por perto, decerto
horizonte quebrado, deserto confuso
ausência colorida
incerto eco
emaranhado de linhas sem saída
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poesias criadas por Josiel Vieira de Araújo
Insuficiência terrível
Consciente sem respirar
O que restar, acabou-se; foi tragado
Leve estrago no tecido da razão
Costumes costuras, sopros entre retalhos
Tempo não se curva às exigências do espaço e do corpo insuficientemente inerte na amplidão da falta de fôlego e do coração descompassado
Pela falta de sentido
Pelo muito sentir
Até o fôlego escapar totalmente
Do corpo que cai
Em si
Em silêncio
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Arfar
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Minha cidade em chamas arde
E você manda apagá-la, mas agora é tarde
Fique com sua monotonia
Eu não sou silêncio; sou incêndio
Os dias, como cavalos que escapam
Que fogem, que dispersam
Cavalos de fumaça, que pairam,
Que voluteiam, que indefinem
Que ameçam.
Cavalos de saudade, que galopam
doloridos em meu peito; que mordem e se transformam em areia a lamber o sal do mar das lágrimas de pavor.
Cavalos da morte, levando em seu lombo o limbo dos entes queridos que se vão.
Apanhamos, caímos, resfolegamos e cuspimos: tentamos e tentamos; nunca desistimos de domá-los.
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Lucidez que não quero, mas ela me quer.
Pontos finais que conspiram contra as coisas que voam livres.
(são balas, são balas cuspidas entre os versos, assassinando-os).
Entranhamento, pessoas estranhas
Pessoas estranhas em meio à névoa fria, péssima névoa chamada lucidez que as impedem de se tocar.
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Suas armas, seus braços
Meus braços, melancolia
Minha arma, minha dor
Seu beijo, sua cor
Monocromia, minha sina
Suor frio, eu não consigo
Sua melhor arma, sedução
Assassina-me a todo instante
e tanto, e de tanto não-escapar
Paira minha melhor sintonia
em ser, em ser seu, em ser eu;
sereia!
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Giz, risco na noite e no chão
Eu sumo, eu arrisco
Circulo branco na fria existência
Eu desenho
Eu desdenho
Sinto com os dedos a aspereza da cela
(ouvindo e vendo o videoclipe =Atmosphere" do Joy Division)
Alguém que vive num mundo seco, onde as pessoas são secas.
Tudo seco e silencioso.
Essa pessoa começa a chorar silenciosamente. Por ela, pelo mundo, pelo nada.
E chora e chora. Mas não há tristeza em seu olhar. Apenas o vazio.
E as lágrimas invadem os vazios, e assim surgem os oceanos. E todas as outras pessoas secas vão para as praias se molhar um pouco.
Josiel Vieira de Araújo
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ipê amarelo
dentro do cemitério;
-Não se leve
tão a sério .
"Peque-me"
com seu pensar
escuro.
Eu amo
os mortos
que há em
sua cabeça
tão pensante
tão amarela
e seu coração
de amores mortos
vivos
vampiros
que assombram
a mim.
Quando eu
alimentarei
também
as flores
do seu mal?
Invejo quem
que lhe deixa
com esse olhar
triste e belo
olhar amarelo
como um ipê
no cemitério.
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obs: essa poesia eu fiz no início da primavera brasileira de 2004. Alguns anos foram sepultados desde então, e por entre a fissura deles surgiram novas flores de ipê...


Anúbis
Veja a fogueira
na curva do caminho escuro
tremendo tal uma bandeira
e iluminando o uivo noturno
do coiote humano.
Ele uiva a canção da liberdade
que tanto lhe fere quanto lhe cura
como a lua, que não é sua
mas sem ela, sua verdade
se desvanece.
A fogueira-gêmea são seus olhos
estão em brasa tamanho é seu ódio
o venderam como a um escravo
como irmãos podem fazer isso?
(seu uivo troveja; alguns pensam
que é um deus com cabeça de chacal)
Por fim, a dor é tão intensa
que ele cai; mais um a tentar...
A lua então aparece depois do eclipse
e sua luz fugidia
se derrama sobre o corpo frágil
e nu e inerte
da pobre criança que nada soube
do não-saber
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