quarta-feira, agosto 20, 2008

sábado, agosto 16, 2008

Mais que Perfeito é o Imperfeito

Anzóis na carne
perfuram o meu desejo
com perfume da noite
Anzóis feitos
pequenas
Luas minguantes
Luas crescentes
eclipse nua
numa
rua
escura
é o céu
é o chão
escuro
onde vem
o trem fantasma
vazio de gente
mas
cheio de promessas
e algum atrevimento
e entre pelo meu peito
e se enrosca
em meu coração
que come a lua
e se delicia
pelo perfume
penetrante
e sempre
Há uma ponte
entre o querer
e o ser
.
.
.




A Lua & As Melodias

líqüida
negra noite
onde
paira a Lua
Eu olho
eu suspiro
a Lua
se esconde
em eclipse
.
.
.
fico Feliz
.
.
.

domingo, agosto 10, 2008

comunicamos que o seu filho ainda está inteiro.


Eu Falo
Eu Falho
Sou Filho
Sofrido
Estrago
O truque
Que Falha
e valha
uma velha
como uma
navalha
no olho
quando
vê uma
ovelha
sofrida
espalhada
no filho
morto
que ainda
lhe fala
pois
lhe faz falta
imensa
imensa dor
insensatez
tão novo
quarenta e três
anos
e outra vez
lhe faz
o olho
falhar
.
.
.


À minha mãe, Avani Henriques, que ainda chora pelo filho morto em 2004


sábado, agosto 02, 2008

pequena nuvem de Magalhães.

no ar

almas
mas
algumas
andam
de
ponta
cabeça
.
.
.
A cabeça
do anjo
aponta
a terra
assim
como
seu pé
pisa
o céu
.
.
.
Anjo
é
alma
invertida
e gente
é anjo
ao avesso
.
.
.
anjo cai para cima
gente tropeça pra baixo
e quando
uma criança
planta bananeira
ela está se lembrando
de como
eram as coisas
.
.
.

Hoje eu sonhei
com um deus indiano azul e sua mãe
sobre eles
eu sobrevoei
como uma flama
e me dei conta que
a gente
é anjo
para os anjos
Eles oram
não por nós
mas para nós
.
.
.



segunda-feira, julho 28, 2008

Cantos Românticos



Sabe,
hoje em dia
Mais perigoso
que ser terrorista
é ser romântico

Nada existe
de mais radical
e nenhum
enganjamento
é maior

do que daqueles
que amam,
que sentem,
que gostam,
que choram
e que sabem rir
e mesmo sem ter
nem para onde ir
eles sabem se entregar.

Veja,

Não se trata
de mais um
"ideal romântico"
ainda que o romântico
é ideal
Pode não ser também
uma boa idéia
Mas "não custa tentar";
Tudo bem,
na verdade às vezes custa
Deus! e como custa!...

Entenda,
Nesse mundo podre,
o contraponto
é dado pelo romântico.
Além da desesperança,
do cinismo,
da crueldade,
da avareza,
da hipocrizia,
da maldade,
da pobreza
de corpo e de alma,
do pessimismo,
do gosto do fim,
do tédio e da angústia,
da intelectualidade estéril
e dos pensamentos
que ferem,
do se possuir alguém
como a um objeto,
sem amor, sem nada,
e do ciúme doente,
das terríveis experiências
do tipo que diz:
"nunca mais vou fazer isto ou aquilo",
da fatalidade,
do pouco esperar do próximo,
da ambição e do egoísmo

Existem as pessoas que amam,
que mandam flores
Que gostam de passear,
de se divertir
Que acham que estar apaixonado
é o máximo
Que sorriem sinceras,
mesmo diante de coisas chatas
Há pessoas espontâneas
Elas são a beleza da vida
E nada as embruteceu,
Nem mesmo o baixo salário,
ou mesmo o desemprego.
Nem mesmo as guerras e assassinatos
Ou as pessoas manipuladoras
que passaram em sua vida.
Verifique,
Os românticos continuam andando,
braços dados ou não
com outros românticos.
Eles são superiores
Eles são puros
A estes,
a sociedade não corrompeu,
por mais que ela tente
massacrá-los
e triturar os bons corações.
Além disso confudem o romântico verdadeiro
com o conquistador barato,
que só conta vantagem
sem ter nada de bom
nem para dar e nem para pedir.
O conquistador barato
é a continuidade do mundo consumista,
cínico e falso
a que o romântico se opõe

O romântico é vela em temporal escuro,
Tão escuro
que o faz sentir-se estrela no breu.
A fragilidade lhe põe forte,
ainda que digam que só os embrutecidos
são dignos de valor.
Mas o romântico sente que não é verdade
Aliás,
somente o que ele sente
é verdade
e não o que os outros dizem
ao seu respeito.


E quer saber?
É muito bom chorar por alguém,
É muito bom amar,
ainda que nem sempre
a gente é correspondido.
É lindo sentir intensamente
Ser ingênuo
Não fazer parte
das maledicências do mundo.
O melhor canto para Deus
é ter bons sentimentos
pelos outros seres
e por si mesmo
O romântico é o único
capaz de entoar
esses cantos
.
.
.




Versos dedicados à minha noiva Maria Andreia da Silva, uma romântica
com quem me casarei em agosto deste ano de 2008)
.
.
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segunda-feira, julho 21, 2008

Depois.

Antes de Cristo,
Morrer
e não se
Salvar.
Antes de Cristo,
trinta e poucos anos
e nada para se tentar.
Antes de Cristo
já havia o depois.
.
.
.

sexta-feira, julho 18, 2008

buquê

.
.
.
Sem culpa,

não há desculpa

e se despeça!

Desapareça;

E não impeça

a fragrância

impressa

na distância

remessa

constante

dos dias

como rosas

num buquê

de elegância

e esqueça

a ganância

de se ter

o perfume

que se desbota

de um amor

que se esqueça

até que ele

desapareça

se desfaça

pétala após pétala

que caem

pingos

perfumados

numa tarde seca
.
.
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quarta-feira, julho 02, 2008

terça-feira, junho 17, 2008

Sinto Muito

Gosto, mas não sonho
Sonho, mas não amo
Amo, mas não quero
Quero, mas não ajo
Ajo, mas não insisto
Insisto e não existo;
- quando "sentir muito"
não é sentir o bastante
.
.
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quarta-feira, junho 04, 2008

(substantivo masculino do latim abscessu)



"Abscesso",
bonita palavra
para algo horrível
algo como chamar de amor
o que sentia por mim
Nego-lhe o acesso
e de onde
você terminou
eu começo.
.
.
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sexta-feira, maio 30, 2008

Lyandra


Vidro mar

frio vem

pessoa azul

transparente

parece já

esperar

diante do mar

felicidade

que não tem
.
.
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quarta-feira, maio 14, 2008

a Hora Azul


a Hora Azul
mundo tomado
por sombras.
A Hora Azul
na capela mórbida;
A Hora Azul:
Embaixo de
sino cinza
badalam
penumbras de poeira
poeira azul
poeira esquecida
poeira de sombras
sobre a pedra fria.
somente a hora é azul
na Hora do dia
em que não há sol.
eu não sei se é às seis.
Mas a Hora Azul
transforma o mundo.
.
.
.
os sinos badalam
as carnes ficam azuis
o sangue esfria
azul nas olheiras
azul nas lágrimas
nada de sol
nada de si
e nem de sombra preta
apenas uma pálida penumbra
um pálido mundo
de onde não há saída.
Nesse mundo nos deitamos
na poeira
e na penumbra,
feito poeira,
feito gente,
feito ninguém;
até alguém nos esquecer.
.
.
.
E dizem que nesse momento
toda a hora é azul.

domingo, abril 20, 2008

entre vazios

.
.
.
Do céu Subterrâneo:
.
.
.
Uma Estalactite
.
.
.
oh-oh-oh
.
.
.
gota a gota
.
.
.
de sangue
.
.
.
de amor
.
.
.
de tristeza
.
.
.
escorrendo
.
.
.
pelas paredes
.
.
.
caverna da alma
.
.
.
chuva interna
.
.
.
perfazendo
.
.
.
uma estalagnite
.
.
.
sobre o coração
.
.
.
onde ninguém verá

canção entoada

entre vazios

coração de pedra há galerias

de arte

de cavernas

pingo a pingo

se faz

uma construção abstrata

de sentimentos

muito concretos
.
.
.





sexta-feira, abril 04, 2008

furlana


E me apavora ainda a existência
pois a essência é fiadeira
escorre em teia
uma corrente
nos dois
que brigam
e se amam
apavorados
furlana
.
.
.


terça-feira, abril 01, 2008

ateliê

ateliê,
onde está você?
Losango cáqui
na sua camisa
desenhado
por luz outonal
prazer em criar,
mesmo que
obras da dor.
Somos
Camille Claudel

.
.
.

segunda-feira, março 31, 2008

terça-feira, março 25, 2008

elegância



melancolia é uma garça
vendo sua lagoa poluída
a desgraça nos põe elegantes
orando ao anjo do esquecimento
e passeando por um jardim de coisas interrompidas
.
.
.



sexta-feira, março 21, 2008

Paixão

Quando você está em chamas,
cria um mundo só seu
Faz-se necessário
a tempestade de fogo
Matrimônio
com o demônio,
Demente & insone
insolente
pregando a indolência
extravagância
Paixão
e calma
um banco
uma namorada
em seu colo
colorida tarde de outono
as cores de suas chamas
esmaecidas
viram a lembrança
da enorme borboleta
calma
de asa amarela
que eu vi na janela
do metrô
Estação Sé
impossivel chama amarela
no ar
O mar de gente
parou
sem fé
para olhar
com horror,
com vagar.
Cabeças escuras
viradas para cima
inferno anônimo
vendo a chama
que lhes falta.
.
.
.

domingo, março 16, 2008

expressionismo



início de outono
toca-me
filme em preto e branco
um café.
Espectro ronda-me
os sentidos
Diáfano difuso dissolvido.
Estou de terno,
fecho os olhos
respiro fundo
um ateliê
cem anos atrás
Terno listado
e também você
ainda estava viva
.
.
.

quinta-feira, março 13, 2008

juno


e faremos amor
e não seremos sérios
e não seremos tristes
e não teremos presos
e não pregaremos a ermo
ermitério
rochedo com sereia
não resiste;
espetáculo
falamos línguas,
e não somos anjos
somos apenas
perseguidores
de doutorado
matilha de covardes
assassinos da imaginação
e não fazemos amor,
pois somos sérios,
tristes,
e presos ao nosso medo
e ciumentos demais
para sermos alguma coisa
no amor.
Afaste-se da sereia!
seu rochedo
despedaça gente
com cabeça de madeira
que flutuam no rio da seriedade
achando que são barco,
são apenas superficiais
que falam línguas
e nada têm de anjos,
a bem da verdade, e nem
de demônios
são almas estranhas
tristes
tao tacanhas
que se traem
e são esquecidas
por uma sereia Loreley
aquela que fica à margem do Reno,
na Alemanha,
em cima de um penhasco de 132 metros.
Mas para a Alemanha
ninguém vai para ver contos de fada obscuros
todo mundo vai pra concluir um doutorado
deixando para trás toda possibilidade de amor.

bicho papão


não escrevo para crianças,
eu as devoro.
Não escrevo para adultos,
eu os deploro.
O que fazer,
quando você
não se encaixa?
Quando se depara
com a constatação
infernal
de que
nem pra bicho papão
você serve?
.
.
.

quarta-feira, março 12, 2008

cora coralina




uma velhinha
de Goiás
que fazia doce e poesia
uma menina
tempos atrás
que namorava a lua
fugiu grávida
de versos
e vazia
de pessoas.
Cora Coralina,
poetisa
e profetisa
e professora
do intenso viver
intenso sentir
E do interior:
do ser humano
e de Goiás
.
.
.


falecida no início dos anos 80 aos 96 anos
.
.
.

domingo, março 09, 2008

silêncio (post morten)


Quando a vida não importa mais
Quando o amor não incomoda
Quando seus sonhos desaparecem
Quando você se cansa da luta
Quando viver é irritante
Quando o veneno é doce,
e a faca, atraente;
quando o salto é esperado
e sem saldo
sem respaldo
sem respeito
sem importância
e sem sentido
sem dor
doravante, comovente;
ser envolvido sem ser envolvente
revólver, disparo
mágoa e desespero
espantar o cansaço
com a lâmina no pulso
descansar a alma
pulando do viaduto
se esquecer da desgraça
fazendo o que ninguém vê graça
Quando você não agüenta mais,
não agüenta mais!!!!!!
O que esperar de você,
a não ser
que descanse em paz?
.
.
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domingo, março 02, 2008

lobotomia

um lobo
não se sacia
com pouco
você sabia?
um louco
mal silencia
seu sopro
você gostaria?
.
.
.
carne fresca para o lobo,
grandes sonhos para o louco.
e se você não gostar;
paciência - faça uma lobotomia
.
.
.



segunda-feira, fevereiro 18, 2008

sim


Coração errado
sim para o pecado!
Coração esfumaçado
e nada mais importa
Dançar com o terror
Pulando etapas
sem pensar
sem resistir
pois nada mais importa
ao teu coração
coração amaldiçoado
que sabe o que é certo
e sempre faz errado
nada esperto,
nada esperto
E tão perto e tão errado
é a vontade...
é o desejo...
é o amor...
amor errado por alguém incerto!!
E o teu coração,
e o teu coração,
segue errado
dançando,
pulando,
se ferindo,
meditando,
evitando -
aliás, chegou a essa conclusão:
não amar e não ser amado
coração errado
que diz sim para o pecado!
Vamos, mais um pouco
daquela sensação
de ser uma vergonha ambulante
para si
e para a maldita raça humana
que não tolera o errado
e vive no erro
querendo dos outros
aquilo que ela não é
e isso cansa,
isso cansa
casado com
um coração errado.
.
.
.




(poesia inspirada na música "Sin in my Heart" de Siouxsie & The Banshees)





domingo, fevereiro 10, 2008

totem em noite

o príncipe das fadas
atrás
arrastando
e no ar, folhas
cornucópia que sopra
a noite em teu ser
príncipe das fadas
numa velha estrada
não faz sentido,
nunca fez
a não ser
em seu ser
que de noite
consegue ver
o princípe,
o perigo
a folha
e está escrito
.
.
.


Uma cabeça de urso,
chifres de bode,
pescoço de cervo
corpo de mulher
quatro braços fecundos
e misteriosos
trazendo a fortuna,
eis o príncipe das fadas
conforme eu o vi
seu nome é composto
de cinco palavras
numa língua esquecida.
Não tenham medo dele,
mas não tentem compreendê-lo.


terça-feira, janeiro 29, 2008

círculos em campo verde


tempo de milagre
verdade que contemplo
templo de amor
morada do sol
Perdemos em demasia
ao fechar os olhos.
E, quando vimos,
nosso campo estava
cheio de círculos
e o céu da manhã
estava enfeitado
por mandalas
.
.
.








domingo, janeiro 27, 2008

Cor em Treva

e você sempre foi mais sinistro
maquiagem e sorriso
vermelho feito corte
mais forte que
seu coração em trevas
Palhaço obscuro
Trapezista se equilibrando
no fio da morte
Para você o carnaval
tem a cor dos
remédios antidepressivos
E se encanta em saber
que os absurdos
são motivo pra piada
e pensar na própria morte
lhe traz uma grande gargalhada!
Boca escarlate,
pele pálida
cabelo esquisito
e isso não é um conto de fadas!
não é um conto de fadas.
não é um conto de fadas!
não é um conto de fadas...
Quando você é o torturador de si mesmo
perambula pela noite afora
buscando um motivo de arrependimento
e encontrando desordem
nas pessoas que deviam ser normais
hei! elas se acham as tais
elas riram de você
pelos motivos errados
E o que resta agora?
Caminhar pela noite
com os gatos e fantasmas
esperando um halloween
esperando ressuscitar.
Sim, você está morto.
O Cavaleiro das Trevas venceu
o palhaço morreu
se matou de desgosto
Ao ver
que nada tinha mais graça.
.
.
.




poesia inspirada no Coringa, esse palhaço Dark.


domingo, janeiro 20, 2008

nuvenzinha


E toda minha vida
eu passei
esperando por ti.
Mas a nuvenzinha
teve de ir
e o resto de minha vida
passarei
chorando por ti
.
.
.
.

poesia em homenagem
à minha gatinha branca Pimenta
que resolveu miar
Sobre os muros do Paraíso.
Sentirei saudades, Pimenta!

segunda-feira, janeiro 14, 2008

sombra no paraíso





sombra no paraíso
ajeitar o cabelo,
se arrumar
lhe ver
partilhar um bolo
embarcar
e a minha bagagem
sumiu.
Antes disso,
um estranho deus
chamado Destino
estava estirado
aos nossos pés
como um bêbado
.
.
.

duas e meia da madrugada

jovem inferno,

jovem inferno;

por que não dormes?

Sequer queimas em paz

bela a tua chama,

Bebes um pouco mais!

Pensas obscenidades belas

derrete-te facilmente

Tu não existe

e todos vão

para o céu
.
.
.


desejo




dentro
fora
dentro
fora
dentro
fora
do sexo
do coração
da sua vida
dentro
fora
dentro
fora
fora
fora...
.
.
.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

quinta-feira, dezembro 06, 2007

o c e a n o p a c í f i c o & C a r i b e




Ei, não olhe para trás.
Você que foge e foge
da onda de lágrimas
que tenta lhe atingir
A onda se aproxima
sobre ela o monstro
se ergue,

gigantesco,

insensível,

monstruoso

inesquecível

Horrenda lembrança
insiste em se erguer
da fossa marinha
do esquecimento.
E não se sabe
se foi você que o aprisionou lá
ou foi ele que se jogou suicidamente,
ou lá se escondeu
para melhor lhe atormentar.
O fato é
que quando o oceano está pacífico
ele o transforma
no cabo das tormentas
e as águas passadas, claras e limpas
se turvam como o olho que chora
um mar de desespero
um furacão então assola
sua segurança
algo lhe aperta e então desata
a vela, a lágrima, o horror da lembrança
o trauma que dilacera a esperança
o coração pede para se deixar afogar.
A escuridão do monstro,
e tudo quanto ele lembra,
seu gosto e seu desejo:
você corre, foge como uma criança
e sua vida vira um naufrágio.
.
.
.
Tudo pára e você finalmente se cansa
de tudo isto
Do poder que deu ao monstro
para lhe ferir e lhe fazer sofrer.
O oceano pacífico ficou para trás
oceano do beneplácito da dúvida
você acorda numa praia
do Caribe,
e lá decide ser feliz
como os antigos piratas
que não tinham dono,
nem ideal, nem praia
e nem amor.
.
.
.




sexta-feira, novembro 30, 2007

Guarde A Chuva (e o seu sarcasmo)



Não use aspas
Aspas são farpas
E farpas ferem
As aspas nas frases
são como aspas
numa sombrinha
que não lhe impede
de molhar-se
com qualquer chuvinha,
enquanto caminha
espetando seu olhar
nas aspas de outras
citações sombrias
de gente sozinha.
Não seja assim;
- Saia na chuva
para se queimar;
- Sinta sua própria voz
lhe chamar.
.
.
.









noite árabe

camelo branco
caminha breve
nas dunas leves
da lua cheia
.
.
.





quarta-feira, novembro 28, 2007

nome



em perfume negro
em aurora cintilante
em noite e véu escuro,
ambos esvoaçantes
em beijo, em instante
em mim, incerto
entrada em noite
embaixo em si
interno, eterno
embaraço em amar
inspiro, encanto
em você, o acerto
em prantos, omisso
entrentanto
me entretenho
em caminho
me abstenho
no carinho
em fuga
na noite
entre estrelas em pó
que sopra
em perfume
na aurora
que sobra
em parte
no que sinto
em que peço
lábios entreabertos
no olho fechado
em prece
silenciosa,
silenciosa,
silenciosa...





sábado, novembro 24, 2007

com paixão

instinto manda
te matar
intuição sussurra
te amar
razão convida
a te esquecer
E se ater
a isso...
aterrorizo
-me!







sábado, outubro 20, 2007

Espírito

Espírito Selvagem,
fim da tarde.
Cortante
saudade
meu sobrinho,
e sua esposa
e o seu menino.
Fim da tarde
Algo se finda
Algo me aperta
E não sei o que é
Meu sobrinho
Me pagou um café
É um bom homem
E não é mais menino
O menino agora
é o seu filho.
Pagou-me um café
com gosto insuportável
por algo
que não sei o que é
E eu não deveria
me sentir assim
.
.
.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Um par (Os Caminhantes)



Sapato
Sandália
Poeira
de estrada
Um que calça
outro não serve
em que se pese
o peso, o cansaço
do ano minguante
chinelo velho,
comida boa
floresta de bruxa
galinha na panela
preto e branco
séphia, fiúcsia
bota feia
tênis barato
não combinam
mas ei, descalço
a gente caminha
lado a lado
cada qual diferente
como nossos calçados
mas a gente caminha
no mesmo passo
a gente tá amarrado
e não é por cardaço
é por amor
sem tempo
e nem espaço.





quinta-feira, setembro 13, 2007

ANGÚSTIA

ANGÚSTIA
é o nome que eu perdi
ANGÚSTIA
não é o que eu não senti
ANGÚSTIA
e seu peso insuportável
ANGÚSTIA
santa que não responde
ANGÚSTIA
rosto sem nome
ANGÚSTIA
coração e alma
ANGÚSTIA
sei que sei
ANGÚSTIA
soterramento
ANGÚSTIA
palpar impossibilidade
ANGÚSTIA
repito que perdi
na madrugada
e não conscenti
com o que me angustia
sim, angustia
"sem acento"
o verbo
o acidente
o tenebroso
sempre se perde
sempre se perde
entre tanta
outra coisa
angustiosa
a angústia
é perfeita
como um
eclipse
num sonho
sonhado num
momento de
angústia
e lembrado
em outro
momento
de náusea
.
.
.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Estande

Um ano
num instante
filhote
&
morte
e o sol
e o sol!...
duma dica
represa
sol sem
pressa
alongo
seu
corpo
se deita
precisa
de mim
um ano
um anjo
instante
desenho
na estante
paira
.
.
.

sábado, julho 07, 2007

estrela estranha



e
esquecida
estrela:
cometa
se meta
intrometa!
se mate
até
que
se mude
cadente
estrela
ardente,
estranha
pulsante!
cabelo
de
cometa
poder
paisagem
espaço
claro
noite
clara
ataque
mudança
é
estrela cadente
presságio
se chama
cometa,
uma tocha,
uma chama
chamado
desejo
inevitável
.
.
.
.




quinta-feira, maio 03, 2007

maio

noites sonâmbulas
vem perturbar-me...
e nelas eu quase me esqueço
do que não sou.
meus gatos queridos, o que será
quando eu não mais voltar?
fugirei e me fundirei
na sombra da lua
que dança nas folhas
do meu quintal noturno
e sinto o chamado
cada vez mais forte
daquela
não-essência.

o monstro

o monstro
que quer
vir à tona.
obscuro monstro
feito de sombras,
de abismo,
de saudade,
de morte,
de tentáculos,
de ferimento,
de poder,
de horror.
Luto contra ele,
e Deus é testemunha
do quanto estou lutando.
mas seus tentáculos
já me enforcaram
muito antes
de minha luta começar
.
.
.

plasma

invisível
indicernível
lamentável
evitável
.
o fim da linha
o fio da rua
aparece a Lua
por um fio
cor entre
amarelo
e prata
penumbra
azul
umbral
não era para eu ver
o meu sangue
e no entanto,
.
.
.
não verei
pois não
conseguirei
.
.
invisível

quinta-feira, abril 19, 2007

c a l i b r e

"um bilhão de motivos"
e nenhuma certeza,
pare com isso!
pare com isso!...
uma roleta
não de acasos
mas de cada
cadáver
venha
me ver
no jornal
me sinto
tão mal
sou o mal!
sou o teu mal!...
.
.
.
(poesia feita inspirada no massacre ocorrido nos EUA)

domingo, abril 08, 2007

Casa dos Répteis

minha agulha
que aponta para o nada
casamento anônimo,
convenção do demônio
grande agulha!
atrelada à loucura,
coletando desencanto,
disfarço
caminho errado
réptil
num
inútil
salão
convenção
do
demônio
.
.
.

sexta-feira, março 23, 2007

vida de trincheira

vida sulcada
entre dissabores
insípida
mas o sol brilha
sobre tal trincheira;
sobre meu rosto e meu coração sujos
apronto minhas armas;
minhas botas afundam na lama
e espero a chegada
de sua ignorância





domingo, março 18, 2007

Menino Dragão

Sou o menino-dragão
vejam minhas garras
e a chama
em meus olhos!
Sou mau e sou odiado
porque nem a espada e nem a flecha
podem fazer-me mal
Evito as pessoas, não as olho
para não assustá-las
Vivo numa caverna
longe, longe
As pessoas me odeiam
Pois eu seqüestrei a princesa
Ai de mim!
Ela se apaixonou por mim!
E ela não entende
que seu rapto foi castigo
Explico-lhe que deve se casar com o príncipe
e não comigo, um sinistro menino-dragão.
Um menino-dragão arrogante,
cruel, impiedoso e frio
Que nunca soube o que é carinho.
Dito isto, eu vi
que estava
acariciando seus cabelos
e chorando ao seu pescoço.
.
.
.
.

quinta-feira, março 08, 2007

fada verde

fada verde
que me entorpece
me exclua da verdade,
me estupre
e em alimente
faça comigo
assim como a um inimigo
que lhe seja amante
que lhe seja mortal
fada verde, fada verde,
não me entorpeça
antes, em adormeça
fale sem sentido
e sem moral
me apresente
algo que seja mortal
seu amor
seu esmorecimento
sua ética e suas asas
de borboleta, de amante
veja que a velha
começa a colher gravetos
outono, minha amante
você e seus contos de fada
sua imbecil safada
que muito me honra
que muito me droga
esqueça-me
e suma
suma
acima
assuma
acidente
algo que não se trai...
não, se trai...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

cromossomo

Em se cansando
dança no deserto
Segue a cor
do nada usando
como certo, como certo
destrava o amor
repleto repleto
língua fugaz,
indo direto
pousando
pensando
fico
horrendo
mereço
imenso
tudo
desonesto:
sede,
sexo,
vingança
reflexo
você
ocaso
café
carro
chuva
invisível
e tocável
e,
e,
e!
trocavel?


domingo, janeiro 28, 2007

silêncio PAVOROSO

dias e dias
tentando superar
tentando esquecer
às vezes eu até rio, imagine?
eu até finjo viver
e aí,
de repente,
ao acaso,
vejo uma pequena coisa
uma frase,
uma lembrança pequenina,
e volto ao inferno
um sofrimento
do tamanho do meu amor
um grito
que ninguém ouve
desespero
um
pavoroso silêncio
e viro novamente
aquele monstro
numa caverna.
.
.
.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

domingo, janeiro 14, 2007

ELEFANTE-ME

elefante-me
qualquer
sagrado
distante
branco
lhe-esmago-me
pés
pesado
pessimista
insista
em ser
intimista
arado
em seu
ressentimento
.
.
.
não adianta,
pedrinhas
não bastam
para impressionar
um elefante branco
e sagrado
e ousado
e coberto
por guirlandas
de flores vermelhas
rosas
laranjas
e de céu
e em sua
testa
pintado
o sinal de Shiva
não tente,
não o tente
ele é sagrado
ele é branco
das cinzas
de sua vida destruída
.
.
.

domingo, janeiro 07, 2007

atrás do muro (a necrônica)

atrás do muro
há lágrimas
há paz
um menino-dragão
vê uma lua verde
vontade de morrer
ali ele pode sentir
não há o que esconder
atrás do muro
do seu muro
e ninguém
sabia: também ele
tinha sentimentos

segunda-feira, dezembro 11, 2006

domingo, dezembro 03, 2006

Räel

Um monstro que nos devora
e que nos ensina
temos de vencê-lo
deixando que ele
nos vença
De que planeta você veio?
o que é seu coração?
o que você sabe de mim?
um deserto em que
nos amamos
e OVNI´S surgem
como mandalas no céu
para nos abençoar

sábado, dezembro 02, 2006

dance, dance, dance, dance!
seu filho da puta
a dança das horas
a dança da vida
pise em seus
próprios olhos
beije alguém
e seja ninguém

domingo, outubro 29, 2006

Angel

Anjo,
é voltando para casa
às cinco da manhã
que eu sinto saudade de você
olha o sol vermelho!
vermelho que nem teu cabelo!
anjo da madrugada,
você foi o melhor
que me aconteceu.
anjo, quando penso em alguém
só é você que me aparece
como um anjo
sorrindo,
voando,
dourado
e vermelho
belo.

terça-feira, outubro 24, 2006

Sleep (sweet Halloween!)

Estou feliz agora!
Algo já ficou para trás!
e eu sinto isso,
a negra nuvem
do teu cabelo negro
desapareceu
no escuro
onde eu dancei a noite toda
Sozinho, mas feliz
sendo o que eu gosto de ser
Músicas, músicas, músicas,
vós sois minhas companheiras!
Obrigado, obrigado
e nunca o madame Satã
foi a mim meu melhor vinho
Peito aberto
para um novo amor
.
.

terça-feira, outubro 17, 2006

nosferatu

nosferatu
uma camisa preta
um olhar antigo
mão
cabeça
navio
outubro
e
o nada

o nome do meu adeus

adeus, adeus,
e o nome do meu adeus
ainda não tem nome:
arsênico,
estricnina,
tristeza,
bala,
forca,
saudade.
ainda não sei
o nome do meu adeus
só sei que estou acenando
e me afogando.

segunda-feira, outubro 16, 2006

coleção de dores

Vendendo a Alma
dando um tempo
sendo um outro
indo a fundo
esperando
esperando
morando
enterrando
e crescendo

sexta-feira, outubro 06, 2006

auto da barca do amor negro

Nesse mar de dias escuros,
dias frios,
onde minhas certezas naufragaram
a única coisa
que me impede de afundar
para a escuridão
onde as certezas levam
é o meu medo
Tenho medo!
sim, agarro-me a ele
e por isso
não sei se você
gosta de mim
acho que sim
sinto que sim, acredite!
Estou perdido
É isso.
Amor negro
como teus cabelos,
como meu humor idiota,
como meu coração
envenenado
de medo
e amor
.
.
.
(o mês das bruxas inicia-se!)

terça-feira, outubro 03, 2006

nada mais triste do que isto.

O lugar da gente
agora é um museu
agora é um cemitério
agora ele chove
agora ele é escuro
.
.
.
agora eu choro...
tive de passar
por uma avenida
com o seu nome
e ela levava
o vilipêndio ao acaso

quinta-feira, setembro 28, 2006

todo o dia... tudo tão bem!

Desculpe-me mas
eu não me impressiono
com agulhadas, farpas e com maldade
nada disso atinge o meu peito blindado
você sabe disso
você devia saber disso
.
.
o que me impressiona,
eu suspiro,
é o sunday compartilhado
é a bondade
é o sorriso
e todo o dia
eu penso, penso nisso!
e aí, suspiro de novo
tudo fica novo
para mim!
e aí, todo o meu dia ruim
todas as coisas ruins
desaparecem
e basta isso
para derreter a minha blidagem
e o meu coração
.
.

sábado, setembro 23, 2006

rodas do terror, rodas do terror!... e me dê um beijo!

Rodas do terror, rodas do terror, rodas do terror
...E me dê um beijo!...
satisfeito,
estou bêbado
e assim vejo o lixo que você é.
E quer saber?
Foda-se
Rodas do terror, rodas do terror...
não me importo
você é imbecil, idiota e ignorante
bêbado, você se cobre de luzes
e se transforma
no que eu sempre quis
ainda que eu lhe enxergue
como a bosta que você é
maaaaaas:
rodas do terror, rotas
rotas, rotas...
eu lhe amo como mulher
e você me despreza como homem
como vagabundo
imundo
e no fundo:
as rodas do terrror giram
giram em falso, como algo que não importa
mas, idiota, você importa ra mim!
e, porra, como importa!...
eu te amo, diz o filme
eu te amo, digo-lhe agora
eu te amo, embora você não acredite
eu te amo, infeliz aborto
eu te amo
lucidez
estupidez
roda do terror
que gira
esmagando-me
jogando-me
com meu sexo
pulsando por você
com todo o meu coração
esmagado
trucidado
por você, idiota!
IDIOTA!
Não percebe isso?
ou só esperará
quando a roda
parar de girar
e eu parar de ter amar?

domingo, setembro 17, 2006

retrato em azul, gelo e saudade

Cortar-se todo o laço
um terreno condenado
mal pude crer, mal pude crer
o que antes era diversão
e agora não posso mais entrar
...

quarta-feira, setembro 06, 2006

palavras roubadas da poeira (escritos por Josiel há um ano)


parece-me que estou
cometendo uma grande bobagem
igual a tantas outras
mas algo diz que estou
no caminho certo
e assim sigo
com o meu faro
a trilha de chuva que já vem
molhar meu jardim morto
e essa doçura se espalha no ar
como gritos de crianças
jogando futebol debaixo da tempestade
e mesmo em tempo instável
sempre é tempo de recomeçar
15:1919/06/2005



Josiel: Mau tempo
sentimento instável
ler em cartas
o que ainda não está escrito
uma voz autoritária
fere meu ouvido
mas ela vem
de meu coração (surdo)
entre linhas
entre duas meninas
phantom
arco vortaico.
sol de outono.
clareza de idéias.
a luta é cansativa, mas é boa.
Olhar.
pessoas incidentais.
música sem letra.
phantom.
um ângulo obtuso e distorcido faz o meu pescoço torcer impossivelmente para o passado e lhe dizer: hello, I love you! Encerro essa noite agoniante de insônia entremeada pelas vozes do sisters, the cure e siouxsie... fecho-me como um vampiro feito de escuridão sólida, e revejo essas palavras tortuosas que muito pouco têm a ver com a serenidade estampada em meu rosto. Afinal, se assim é, é porque no céu claro que avança a tempestade como um vidro de nanquim gigante derrubado sobre o nada que nos protege do nada.YYYEEEEEAAHHHHHHHHHH......
"o jardim das delícias está na desobediência que fecunda o inferno".Jolene, Jolene, jolene...

as trevas são o hálito do dragão. Dancemos na garganta dele, e brindemos a noite
00:0208/05/2005

apagar

Josiel: estranho escrever um recado para mim mesmo. Mas nessa noite estranha sinto-me estranhamente motivado a pensar em impropérios aprisionantes... ontem fez 60 anos do fim da II guerra, e é na madrugada que os fantasmas vêm até mim como divisões de soldados invencíveis. será que também eu não sou um deles? Um quasar há muito extinto, cujo brilho atual são reminiscências de um passado distante...

frio

Deus, eu estava tão perto!...
tão perto!...
e agora tudo parece desabar

domingo, setembro 03, 2006

terça-feira, agosto 22, 2006

quinta-feira, agosto 17, 2006

bom apetite

a verdade é tanto mais dura conforme seja mais indigesta.
teremos estômago então?
valerá a pena digerir amargura?

quarta-feira, agosto 09, 2006

sol soviético

sol soviético
fimda tarde
escura pare de prédio
céu
de cidade
ver
melha
sol soviético
democracia
letra ída
escombro
demon
lição
prédio ódio
sol soviético
e o sol soviético
numa ver
verdade
de pessoa
insegura
num
inferno cubista
cabem quanto?
num sol-viético
amém
amém!
amém...
e a mim,
que parto
e tiro
e infarto
de coisas
dum coração
vermelho
vermelho
soviético!
coisa vermelha
a paixão
e o céu
cedeu
de inverno
o calor
do verão
ora essa,
estamos em
desgosto
de 2006
e somos
sumimos!
assustamos
a todos
os sovi
ÉTICOS!
a ética
do coração
vermelho
torturado
calado!
duro
como cortina
de ferro
escuro
de prédio
prédio soviético
e eu estou
em Estalingrado
e não é
1943
porra!
é 2006
e há tantos mortos!
TANTOS MORTOS
em meu coração
vermelho
soviético
desamparado
e seco
como o clima
dessa cidade
indoalém
do vermelho
e do escuro
e da insegurança
tanto ataque
minha democracia
é minha ditadura
são minhas botas
e minha
arrogância
intolerância
soviética
dissolver
vendo
opor
do sol
que não é
mais vermelho
.
.
.

quarta-feira, junho 28, 2006

longa, longa marcha

Longa, longa é a marcha
esse caminhar para longe de nós dois
tenho medo de ouvir sua voz novamente
pois a ouvirei daqui a alguns dias
sendo educada e sendo distante
pois então já e longa a estrada que nos separa
e tão lógica quanto os pequenos achados
que compõem meu dia a dia
dia a dia longe de você
a minha imagem mais perfeita
alguém a projetou hoje
confio em você, querida
e vejo que você fez a coisa certa

domingo, junho 18, 2006

O espelho oval
borda dourada
uma cobra
uma carta
irrespondida
uma planície de gelo
onde não se enxerga
a ausência
de um espelho
de uma companhia

sexta-feira, junho 09, 2006

quinta-feira, junho 08, 2006

Céu Desesperado em Junho

Céu desesperado em junho, tons violetas desesperados
algo queima, algo da cor do outono
queima no céu, queima no meu peito violáceo.
Sou preguiçoso, meu amor
Deleito-me deitando-me enroscando-me
languidamente
no galho daquela árvore
a qual você sabe
dedos enroscando-se
frutos? jogando-se
uma figueira branca
como osso
como cal
e frutos para gente preguiçosa

violeta

lua em junho
flutuante noturno

domingo, junho 04, 2006

espada em esplendor

Duas chamas
dançando
na escuridão
Que estranho, meu amor
você já não é mais meu amor
(há muito tempo)
mas vê-la
revela
revela-me
Duas chamas
duas velas
somos nós
e mais ninguém!
nada mais importa
por um momento
voltei a ser feliz
mas o destino de toda
vela
que revela
é apagar.
.
.
.

sexta-feira, maio 26, 2006

(saudades de um anjo) Debaixo da Estrada

O poeta, óculos escuros, lê seu jornal e fuma seu cigarro. E espera.
Eu não fumo.
E não espero.
.
.
.
Eu desespero.

sábado, maio 20, 2006

quarto minguante

No meu quarto, eu estou minguante.

Fiquei pensando no escuro sozinho.

Pensamentos escuros.

Minguantes.

A ponta da lua está ferindo meu peito.

De onde escorre Clarice Linspector.

terça-feira, maio 16, 2006

response

sou um nexus 6
Quem entender isto, me entenderá.
Completamente.

um rio de águas barrentas

nele surge uma criatura, entre o boi e um bode.
Criatura destinada ao sacrifício
nascida do turbilhão de paixões imundas.
E nada se pode fazer
a não ser se prestar ao sacrifício

sexta-feira, maio 12, 2006

monoposto

Não sei o que pensar.
Estou-lhe indiferente.
-lhe-
um dia cansativo.
mais um dia
e francamente não sei

terça-feira, maio 09, 2006

brincar

quer brincar comigo?
Perguntou o bebê morto.
Do que você quer brincar?
E uma mortalha se descobriu, revelando o calor do deserto.

mortum est

Pensando... pensando... pensamento como um navio sendo construído num estaleiro.
Pensando.
coteau twins.
aquela música.

rosas e rodas, rodas e rosas vinte e quatro vezes

Pois são rodas e rosas aquilo que se passa...
Uma canção antiga e poeirenta, destinada a outra pessoa e a um sentimento há muito apagado, mas que agora se entoa (entoa por si só) para sua rosa.
Déspota desbotada.
perfume.
Um bebê.
assusta.

segunda-feira, maio 08, 2006

Déque

O que me ocorreu no sábado
foi o ápice da falta de sentido
e tão perto
e tão... desprovido?
exercício
de como
...
não sei mentir?
.
.
.
Eu nunca sei mentir
até quando eu ensaio
acabo falando a verdade
não sei simular.
Preciso aprender isto
.
.
.
um templo
fumaça rosa
é a mesma
dos dois lugares
espíritos
levar alguém nas costas
"e quando for artista"
tirarei uma foto
e verei
o que não queria
revelação
imprecisa
ágape
iolamento
em tons de nuvem tranqüila
Eu não gostaria de ter feitos tantos monstros e de dito tantas monstruosidades. Eu não queria ter feito rascunhos com sangue e violência. Fotogenia? Areopagista.
induza-me ao erro. "Peque-me com seu olhar obscuro", e eu já escrevi esta frase em 2004.
Chuva.
Chuva...
Meninas.
Eu
e as gotas.
muitos lírios. Um só Déque. Uma canção japonesa. Atrixxxx. Monges. Calma. Repirar fundo. E se atirar ao fundo. Profundamente. Mas no lago onde estão os monges, nada se moveu na superfície negra. apenas algumas bolhas.
Algumas bolhas.

CRIAR É UM BOTÃO

Criar é um botão.
Sem sentido.
Olha, e eu bem que tenho tentado.
...

Um botão de rosa.

Inevitável, intransferível.
A cor do céu.
perigo.
você.
...
odeio-me

pensamentos escorrem

Quem sou eu e de quem você gosta?
Duas barras inclinadas. Explicação.
com//Texto.
Definições em sombra de dúvida, sombra azul.
Alguns pingos. Céu amarelo de tempestade.
Eu lhe trouxe meu guarda-chuva, amor. Mas para quê? É tão bom beijá-la embaixo da chuva...

domingo, maio 07, 2006