terça-feira, julho 28, 2009

ex poente




A tristeza é uma ponte para se escapar da dor

e à dor a gente vai para não ver a verdadeira angústia

e a angústia, ah, a angústia...

essa a gente contempla

com as mãos no rosto

debruçado que estamos

no parapeito da ponte já citada

E eis que lá estamos

na ponte enferrujada.

E começamos a entardecer

E estamos sós com nossos remorsos

Mas eis que fazemos uma tarde morna

morna como o rio sob a ponte

Um rio calmo.

De lágrimas mornas.

Eu rio, eu salvo...

as águas mortas

águas turvas

rosto poluído

que enferruja

a ponte

e o poente

e o pedinte

que se despe

e se despede

e se despedaça

numa fuligem

que doura o céu

que fica vermelho, dormente, dormente

até que tudo turva-se de vez

e foi a vez de se ver

que tristeza, dor, angústia e todo o resto

se fundem

se confundem

e tudo fica belo

e perdido.
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quinta-feira, julho 23, 2009

terça-feira, julho 21, 2009

C o r o n a

Adeus, amor;

A deusa morta:

o que ficou

o azul do céu

uma coroa

e o seu olho preto

- é o eclipse.

Adeus, amor;

A deusa morta

nesse inverno

nos olha

devemos dar

as mãos

e esperar

juntos

pelo adeus.
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sábado, julho 18, 2009

Halo



A fumaça nos cega,

Um pórtico se desenha, crepitando,

mal discernível

e por ele vemos

Um halo em volta do Sol.

E a fumaça vem das folhas secas,

vem das oferendas aos deuses,

vem dos nossos sonhos queimados

e se interpõe às nossas chopanas queimadas

por nossos inimigos.

Logo, logo, o vento varrerá a fumaça

e o tempo nos esquecerá.

Mas o halo, o halo...

temos um instante de paz.
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A Catedral de São Pedro em chamas



O que podemos fazer diante dessa luz terrível,

a não ser apresentarmos nossas trevas sinceras?

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sexta-feira, julho 10, 2009

Anúbis




Anúbis




Veja a fogueira


na curva do caminho escuro


tremendo tal uma bandeira


e iluminando o uivo noturno


do coiote humano.


Ele uiva a canção da liberdade


que tanto lhe fere quanto lhe cura


como a lua, que não é sua


mas sem ela, sua verdade


se desvanece.


A fogueira-gêmea são seus olhos


estão em brasa tamanho é seu ódio


o venderam como a um escravo


como irmãos podem fazer isso?


(seu uivo troveja; alguns pensam


que é um deus com cabeça de chacal)


Por fim, a dor é tão intensa


que ele cai; mais um a tentar...


A lua então aparece depois do eclipse


e sua luz fugidia


se derrama sobre o corpo frágil


e nu e inerte


da pobre criança que nada soube


do não-saber


Justificar.

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Comentário sobre essa poesia:



"Anúbis" foi criado por mim em 1996. Essa poesia foi feita sobre a história de José no Egito, como é descrita no livro bíblico de Gênesis.

Também é usado o simbolismo do signo de Aquário, que também permeia o simbolismo de José.

José foi o 11° irmão, todos filhos de Jacó - o Jacó que viu a famosa escada espiral de anjos, que depois inspiraria desde algumas pinturas do escritor e poeta místico William Blake, até a música Stairway To Heaven, do Led Zeppelin.

A história de Jacó também é profetizada no livro apócrifo de Enoque, um livro obscuro cheio de passagens ocultas e referências místicas.

Também coloquei uma imagem que me impressionava muito na época. Eu então pegava o ônibus "309-T" cidade tiradentes, que passava ao longo da avenida Aricanduva, uma avenida em sp que margeia grande parte da mata Parque do Carmo. Por causa de imensa floresta , denoite a região é completamente escura, chegando a dar um certo medo. A uma certa altura, havia sempre alguém que queimava fogueiras na curva da avenida, perto de onde hoje é o famoso Kazebre Rock Bar. Em meio àquela escuridão, ver aquelas fogueiras, como dois olhos flamejantes brilhando vermelhos e furiosos na noite escura, discernindo a curva da avenida em raias de luminosoidade vacilante cor de laranja, me impressionava bastante.

Cumpre lembrar que meu signo é Aquário e na época eu me sentia preso a certos sentimentos agoniantes.

De tudo isso veio a inspiração para escrever essa poesia, a qual nunca publiquei antes.

Cumpre lembrar que as rimas foram automáticas, eu não pensei para fazê-las.

Até a próxima!

Josiel
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quarta-feira, julho 08, 2009

sexta-feira, junho 12, 2009

Zooombi

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Tapumes sobre o cérebro

botas em minha cara

homens trabalhando (para isso)

meu corpo sem cabeça dança em convulsão

helicópteros sobre o céu

mãos à obra

esconda-se

damos os tapumes

e te enchemos de tapa e porrada!

Tapumes sobre o cérebro

Tapumes sobre o cérebro

Tapumes sobre o cérebro

Somos o governo do Estado de São Paulo, Brasil

e os tambores já ruflam

a juventude paulista

pulsa bem hitlerista
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quinta-feira, junho 04, 2009

pixels mortos (ou vinte anos essa noite)

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na grande tela LCD da existência superficial

somos os pixels mortos

não mostramos nada

e exportamos

tecnologia

e desinformação.

Nós, os pixels mortos

há algo de errado conosco

e com quem nos vê

e finge não ver.
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(minha homenagem aos mártires do massacre da praça da Paz Celestial e o meu repúdio ao governo chinês que tortura minorias e sufoca qualquer tentativa de democracia e liberdade. Tibete Livre!)
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domingo, maio 31, 2009

honestidade

honestidade,

preço terrível por uma palavra!

nada da boa sombra da mentira;

o honesto anda debaixo desse sol escaldante,

que lhe arranca a pele,

e desse vento que trás um sal que lhe fustiga a carne nua.

Sim, o honesto está nu

sua boca sedenta clama pela água das facilidades da vida.

Mas o seu coração é chama pior que o sol que o devora,

e assim essa caravana feita pelo honesto e seus tormentos

é impelida pelo deserto da existência

provocando admiração a todos nós,

mentirosos poetas

envoltos naquele manto de sombras convenientes.
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...que o diabo amassou

A arte é pão

para alma.

Palavras

sovadas

por estranho pilão.

pobre de um

artista;

que amassa

o alimento

e o diabo leva

a fama...

(e a sua alma faminta)
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sexta-feira, maio 15, 2009

missão de fé

No Alto da escuridão

paira, ondulante

a luz escorrida da procissão.

O morro é invisível;

se fundiu ao escuro do céu

e alguém diria que a procissão

é o fio de uma esguia cascata

dum fogo sereno, tremulante

silenciosa serpente de fogo

ferindo sem ferir

a noite absurda e sem amanhecer.

O meu caminho muda

nas esquinas em penumbra

onde faço meu clero;

E já diviso

que a serpente se fragmentou.

Agora são pequenas manchas de fogo

subindo, de forma vacilante,

de forma amorosa,

lutando contra o vento que

sempre quer apagar as chamas

atendendo ao chamado misterioso.

As tochas são agora

uma alaranjada romaria

de pequenas estrelas

subindo sem peso e sem destino

para o crepúsculo cuzeiro

o topo do outeiro

onde jaz o buraco-negro

que, atroz,

a todos

seduz

e todas as luzes

em noite escura

vão se tornando

conforme vão se apagando.
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quinta-feira, maio 14, 2009

"já se faz tarde"

Estou no ônibus

Estou só

noite voadora

vindo do hospital

ouço o "clube da esquina"

e já é a minha cabeça

que quer ser voadora

e se libertar

das minhas prisões

e as luzes são muito oblíquas

quando se tem a sensação

que já se faz tarde

(demais).
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quinta-feira, maio 07, 2009

caleidoscópio

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Toda pessoa é cubista:

possui vários lados

e sobre cada cabeça,

paira (ameaçadora)

uma sentença.
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Uma leve espada

flâmula flutuante

que pende casual

até pousar delicada

no pescoço que,

tomado assim por esse beijo,

deixa a cabeça rodopiar,

grávida de sentenças,

olhando para tudo

de ângulos mortos.
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sábado, maio 02, 2009

quinta-feira, abril 23, 2009

"Noite da Borboleta"

moleque de presa
despreza
o peso
depressa
preso
em leque
uma reza
arquipélago
enlouquece
mas não
esmorece;
Enobrece
o nada ser
ser amado
- em xeque
ou não mate;
dá no mesmo.
É o sol,
pequeno tubarão
devorando tudo
menos sua solidão.
(sem peso, leve,
leve,
leve...
e até livre,
mesmo não sendo
mais
moleque)

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inspirado no livro "Papillon", Henri Charrière.
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quarta-feira, abril 15, 2009

Saia e Faça



Vento negro

tremulando coisas invisíveis

Vento negro

fustiga, açoita, esfria,

coisas invisíveis

se enroscam no corpo.

É difícil seguir adiante

O corpo se dobra com o esforço;

o olho se esforça por fechar.

No escuro já a mão segura

uma tênue chama.

é difícil seguir adiante.

Adentrando o vento negro

que adeja seus longos dedos de fantasma.

E já é difícil levar adiante essa chama fraca.

e já não sei se essa chama

se chama "minha consciência";

ou se o que protejo na palma

é a breve alma de um inferno instantâneo.
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quinta-feira, março 19, 2009

outrora

Esta é a dança da morte
outrora fora outono;
agora apenas tentar ser forte
ante à falta de sorte
pois ainda estamos fadados
sim, estamos fadados
a dançar o que não queremos
Afinal, esta é a dança da morte.
Tentamos torná-la macabra
pois aceitar sua naturalidade
dificulta aceitar a hora marcada
A morte já dançou com meu irmão,
minha avó, minha amiga Cida
E até com a gata Pimenta.
Outrora fosse outra hora
e nada disso me afetaria.
Mas o tempo me quebrou,
ao invés de me endurecer
E eu nunca perdi a ternura.
Esta é a dança da morte
ela dança como num tango
ela vai e ela vem.
Tal e qual o outono
que principia hoje
Dia de São José
início de Áries
o Imperador Adriano
Já disse
que devemos renunciar
aos jogos de outrora.
E como fazê-lo?
tudo o que sei
é que hoje acordei chorando.
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quarta-feira, março 11, 2009

Carta aos Demissionários

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Não-morador,
vive em rua sem saída.
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Onde só se pode
"discutir a relação"
que já acabou.
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Não-morador
não é
namorador.
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pósfácio para essa poesia: certa vez assisti a um filme japonês chamado "Dolls", e lá alguém diz: "... não seja escravo de sentimentos tão tristes".
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sábado, março 07, 2009

Leite tirado da via-láctea

Ei, Pessoa Flutuante!...

A flutuar

no líqüido aminiótico

Ei, pessoazinha!...

Peso sem instante

Flutua

pequena lua

chamada barriga.

Na grande lua das quatro fases

que bóia

na liqüidez calma e fria da noite

há pouca gravidade;

Na pequena barriga de quatro meses

da minha esposa

há muita gravidez

Ei, pessoinha flutuante!...

desliza como um peixe

na escuridão materna

Ela tem uma calma noite

dentro de si

Alegra meu olhar

quando ela anda, já não anda

também flutua;

pisando a sem gravidade

do meu próprio coração.
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Nós nos amamos

e por isso todas as coisas belas

nos pertencem.
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sábado, fevereiro 28, 2009

alameda sombreada dos entes queridos mortos

queimaram seu dia de papel
e o transformaram
numa quarta-feira em cinzas
sua massa cinzenta
também se queima
queima neurônios
queima etapas
teima em ser neurose
e a dor em sua cabeça
criativa ou não
lhe fere
não ver grandeza em nada
mesmo sua poesia
não tem letras maiúsculas
e pouco lhe importa
se percebem seus pequenos sinais
pois a flor da quaresma
já desfolha
sua alma
penitente
e tão desprovida
paciente,
sem
ter
paz
nem
ente
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sábado, fevereiro 07, 2009

alegoria

Alegoria:

menina

pintada com o arco-íris

Alegria:

menino

dia de chuva

vendo fadas molhadas

no jardim verde

Diante de tudo isso

eu passeio

numa escuna

que balança;

é quase noite escura

as fadas molhadas se acenderam

como vagalumes

e a menina pintada

agora se pinta

com as cores do por do sol

quer sair

para se divertir

Já é tarde

a escuna balança

e eu caio

pois já não caibo

só em mim
.
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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Flor noturna

Um pingo branco na escuridão
é a flor noturna que pende do muro
e já não é somente um pingo
são vários, vários...
alguém chorando flores
Alguém, alguém
sujeito oculto
e objeto indeterminado
paisagens perdidas
onde caem gotas brancas
silenciosas
intensas
calmas
.
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segunda-feira, janeiro 19, 2009

O esplendoroso caso dos suspensórios

Rua sem saída
onde paira
uma libélula
impedimento
e promessa de liberdade
até, quem sabe?...
a monotonia
deixar de ser
saudável
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segunda-feira, janeiro 05, 2009

Amsterdã

Café
Café de madrugada.
Noite bebo.
Em um trem
perpassa as cortinas
e do outro lado lambo poeira
poeira de estrelas
e do que eu fui
enquanto o trem é um banco
de praça
rápido demais
para eu alcançar
.
.
.
e as cortinas
pesadas
cor negra
me envolvem
e no meio delas
eu descubro você
entre teias de aranha
e gosto de vinho
.
.
.
uma praça
na frente de um rio cinza
onde o tempo escurece
e a vida entristece.
.
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(poesia destinada à Clan Of Xymox)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Aflige a Esfinge

Aflige a Esfinge







Decifra-me, e eu te deploro!...
imploro que deixe
em paz e a sós
meu mistério
é so nele
que passeiam
minhas luas
e o meu sentimento
E não há sentido
em se levar
tão a sério.
E nem em você
e nem no seu cemitério
.
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segunda-feira, dezembro 15, 2008

outra passagem

E o que somos
não é o que nos tornamos
E se amamos
é porque nos despedimos
e nos despimos
e não descemos
e, sim, tornamo-nos
a sós estivemos
esperamos
e não queremos
inventamos
e um quebra-vento
galopamos
enquanto anoitecemos
e nos entorpecemos
de noite, de liberdade,
eclipsamos
o que somos
e nos esquecemos
enquando vivemos
entortando
ao que viemos
estamos
e
somos
nós
a sós
.
.
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domingo, novembro 30, 2008

terra do gelo negro

Eu sou um continente,
colorido continente,
todavia em meu extremo
há ainda a terra do gelo negro.
Lugar inóspito,
lá eu guardo meus mais frios ventos
as noites mais tenebrosas
e as estrelas mais cristalinas.
Lá nada existe de calor
ou de esperança.
Mas é nesse lugar
onde há as minhas mais belas paisagens
as mas desoladas
e as melhores
e as mais distantes
e as mais puras.
E para lá que eu vou
quando o calor fica a me sufocar
E quando tudo está certo demais
até eu
até demais
até nunca mais.

sexta-feira, novembro 21, 2008

o olho e a escuridão

O inventário do vento
silêncio
uma passagem
tormento
lento
sentido
sem nada
noite
entortada
tudo reaparece
só é necessário
um copo de vinho
e um pouco de vento
.
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sábado, outubro 11, 2008

Efeméride

Efeméride

não meça suas palavras

o ato de medir

interfere

no que

está sendo

medido.

E qual a

natureza

da decisão

- definitiva -

de se ser

ambíguo?
.
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Ser ou não ser

não é a questão.

É mero pretexto

da indecisão

E indecisão

não é ambiguidade

É efeméride.
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domingo, setembro 14, 2008

natureza morta



Natureza Morta

amarga

paleta acre

de folhas caídas

obstruído

canais

Sacerdócio

é limpar

o chão

levar essas folhas

outonais

para o coração

até ele apodrecer
.
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quarta-feira, agosto 20, 2008

sábado, agosto 16, 2008

Mais que Perfeito é o Imperfeito

Anzóis na carne
perfuram o meu desejo
com perfume da noite
Anzóis feitos
pequenas
Luas minguantes
Luas crescentes
eclipse nua
numa
rua
escura
é o céu
é o chão
escuro
onde vem
o trem fantasma
vazio de gente
mas
cheio de promessas
e algum atrevimento
e entre pelo meu peito
e se enrosca
em meu coração
que come a lua
e se delicia
pelo perfume
penetrante
e sempre
Há uma ponte
entre o querer
e o ser
.
.
.




A Lua & As Melodias

líqüida
negra noite
onde
paira a Lua
Eu olho
eu suspiro
a Lua
se esconde
em eclipse
.
.
.
fico Feliz
.
.
.

domingo, agosto 10, 2008

comunicamos que o seu filho ainda está inteiro.


Eu Falo
Eu Falho
Sou Filho
Sofrido
Estrago
O truque
Que Falha
e valha
uma velha
como uma
navalha
no olho
quando
vê uma
ovelha
sofrida
espalhada
no filho
morto
que ainda
lhe fala
pois
lhe faz falta
imensa
imensa dor
insensatez
tão novo
quarenta e três
anos
e outra vez
lhe faz
o olho
falhar
.
.
.


À minha mãe, Avani Henriques, que ainda chora pelo filho morto em 2004


sábado, agosto 02, 2008

pequena nuvem de Magalhães.

no ar

almas
mas
algumas
andam
de
ponta
cabeça
.
.
.
A cabeça
do anjo
aponta
a terra
assim
como
seu pé
pisa
o céu
.
.
.
Anjo
é
alma
invertida
e gente
é anjo
ao avesso
.
.
.
anjo cai para cima
gente tropeça pra baixo
e quando
uma criança
planta bananeira
ela está se lembrando
de como
eram as coisas
.
.
.

Hoje eu sonhei
com um deus indiano azul e sua mãe
sobre eles
eu sobrevoei
como uma flama
e me dei conta que
a gente
é anjo
para os anjos
Eles oram
não por nós
mas para nós
.
.
.



segunda-feira, julho 28, 2008

Cantos Românticos



Sabe,
hoje em dia
Mais perigoso
que ser terrorista
é ser romântico

Nada existe
de mais radical
e nenhum
enganjamento
é maior

do que daqueles
que amam,
que sentem,
que gostam,
que choram
e que sabem rir
e mesmo sem ter
nem para onde ir
eles sabem se entregar.

Veja,

Não se trata
de mais um
"ideal romântico"
ainda que o romântico
é ideal
Pode não ser também
uma boa idéia
Mas "não custa tentar";
Tudo bem,
na verdade às vezes custa
Deus! e como custa!...

Entenda,
Nesse mundo podre,
o contraponto
é dado pelo romântico.
Além da desesperança,
do cinismo,
da crueldade,
da avareza,
da hipocrizia,
da maldade,
da pobreza
de corpo e de alma,
do pessimismo,
do gosto do fim,
do tédio e da angústia,
da intelectualidade estéril
e dos pensamentos
que ferem,
do se possuir alguém
como a um objeto,
sem amor, sem nada,
e do ciúme doente,
das terríveis experiências
do tipo que diz:
"nunca mais vou fazer isto ou aquilo",
da fatalidade,
do pouco esperar do próximo,
da ambição e do egoísmo

Existem as pessoas que amam,
que mandam flores
Que gostam de passear,
de se divertir
Que acham que estar apaixonado
é o máximo
Que sorriem sinceras,
mesmo diante de coisas chatas
Há pessoas espontâneas
Elas são a beleza da vida
E nada as embruteceu,
Nem mesmo o baixo salário,
ou mesmo o desemprego.
Nem mesmo as guerras e assassinatos
Ou as pessoas manipuladoras
que passaram em sua vida.
Verifique,
Os românticos continuam andando,
braços dados ou não
com outros românticos.
Eles são superiores
Eles são puros
A estes,
a sociedade não corrompeu,
por mais que ela tente
massacrá-los
e triturar os bons corações.
Além disso confudem o romântico verdadeiro
com o conquistador barato,
que só conta vantagem
sem ter nada de bom
nem para dar e nem para pedir.
O conquistador barato
é a continuidade do mundo consumista,
cínico e falso
a que o romântico se opõe

O romântico é vela em temporal escuro,
Tão escuro
que o faz sentir-se estrela no breu.
A fragilidade lhe põe forte,
ainda que digam que só os embrutecidos
são dignos de valor.
Mas o romântico sente que não é verdade
Aliás,
somente o que ele sente
é verdade
e não o que os outros dizem
ao seu respeito.


E quer saber?
É muito bom chorar por alguém,
É muito bom amar,
ainda que nem sempre
a gente é correspondido.
É lindo sentir intensamente
Ser ingênuo
Não fazer parte
das maledicências do mundo.
O melhor canto para Deus
é ter bons sentimentos
pelos outros seres
e por si mesmo
O romântico é o único
capaz de entoar
esses cantos
.
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Versos dedicados à minha noiva Maria Andreia da Silva, uma romântica
com quem me casarei em agosto deste ano de 2008)
.
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segunda-feira, julho 21, 2008

Depois.

Antes de Cristo,
Morrer
e não se
Salvar.
Antes de Cristo,
trinta e poucos anos
e nada para se tentar.
Antes de Cristo
já havia o depois.
.
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sexta-feira, julho 18, 2008

buquê

.
.
.
Sem culpa,

não há desculpa

e se despeça!

Desapareça;

E não impeça

a fragrância

impressa

na distância

remessa

constante

dos dias

como rosas

num buquê

de elegância

e esqueça

a ganância

de se ter

o perfume

que se desbota

de um amor

que se esqueça

até que ele

desapareça

se desfaça

pétala após pétala

que caem

pingos

perfumados

numa tarde seca
.
.
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quarta-feira, julho 02, 2008

terça-feira, junho 17, 2008

Sinto Muito

Gosto, mas não sonho
Sonho, mas não amo
Amo, mas não quero
Quero, mas não ajo
Ajo, mas não insisto
Insisto e não existo;
- quando "sentir muito"
não é sentir o bastante
.
.
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quarta-feira, junho 04, 2008

(substantivo masculino do latim abscessu)



"Abscesso",
bonita palavra
para algo horrível
algo como chamar de amor
o que sentia por mim
Nego-lhe o acesso
e de onde
você terminou
eu começo.
.
.
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sexta-feira, maio 30, 2008

Lyandra


Vidro mar

frio vem

pessoa azul

transparente

parece já

esperar

diante do mar

felicidade

que não tem
.
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quarta-feira, maio 14, 2008

a Hora Azul


a Hora Azul
mundo tomado
por sombras.
A Hora Azul
na capela mórbida;
A Hora Azul:
Embaixo de
sino cinza
badalam
penumbras de poeira
poeira azul
poeira esquecida
poeira de sombras
sobre a pedra fria.
somente a hora é azul
na Hora do dia
em que não há sol.
eu não sei se é às seis.
Mas a Hora Azul
transforma o mundo.
.
.
.
os sinos badalam
as carnes ficam azuis
o sangue esfria
azul nas olheiras
azul nas lágrimas
nada de sol
nada de si
e nem de sombra preta
apenas uma pálida penumbra
um pálido mundo
de onde não há saída.
Nesse mundo nos deitamos
na poeira
e na penumbra,
feito poeira,
feito gente,
feito ninguém;
até alguém nos esquecer.
.
.
.
E dizem que nesse momento
toda a hora é azul.

domingo, abril 20, 2008

entre vazios

.
.
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Do céu Subterrâneo:
.
.
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Uma Estalactite
.
.
.
oh-oh-oh
.
.
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gota a gota
.
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de sangue
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.
.
de amor
.
.
.
de tristeza
.
.
.
escorrendo
.
.
.
pelas paredes
.
.
.
caverna da alma
.
.
.
chuva interna
.
.
.
perfazendo
.
.
.
uma estalagnite
.
.
.
sobre o coração
.
.
.
onde ninguém verá

canção entoada

entre vazios

coração de pedra há galerias

de arte

de cavernas

pingo a pingo

se faz

uma construção abstrata

de sentimentos

muito concretos
.
.
.





sexta-feira, abril 04, 2008

furlana


E me apavora ainda a existência
pois a essência é fiadeira
escorre em teia
uma corrente
nos dois
que brigam
e se amam
apavorados
furlana
.
.
.


terça-feira, abril 01, 2008

ateliê

ateliê,
onde está você?
Losango cáqui
na sua camisa
desenhado
por luz outonal
prazer em criar,
mesmo que
obras da dor.
Somos
Camille Claudel

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segunda-feira, março 31, 2008

terça-feira, março 25, 2008

elegância



melancolia é uma garça
vendo sua lagoa poluída
a desgraça nos põe elegantes
orando ao anjo do esquecimento
e passeando por um jardim de coisas interrompidas
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sexta-feira, março 21, 2008

Paixão

Quando você está em chamas,
cria um mundo só seu
Faz-se necessário
a tempestade de fogo
Matrimônio
com o demônio,
Demente & insone
insolente
pregando a indolência
extravagância
Paixão
e calma
um banco
uma namorada
em seu colo
colorida tarde de outono
as cores de suas chamas
esmaecidas
viram a lembrança
da enorme borboleta
calma
de asa amarela
que eu vi na janela
do metrô
Estação Sé
impossivel chama amarela
no ar
O mar de gente
parou
sem fé
para olhar
com horror,
com vagar.
Cabeças escuras
viradas para cima
inferno anônimo
vendo a chama
que lhes falta.
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domingo, março 16, 2008

expressionismo



início de outono
toca-me
filme em preto e branco
um café.
Espectro ronda-me
os sentidos
Diáfano difuso dissolvido.
Estou de terno,
fecho os olhos
respiro fundo
um ateliê
cem anos atrás
Terno listado
e também você
ainda estava viva
.
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quinta-feira, março 13, 2008

juno


e faremos amor
e não seremos sérios
e não seremos tristes
e não teremos presos
e não pregaremos a ermo
ermitério
rochedo com sereia
não resiste;
espetáculo
falamos línguas,
e não somos anjos
somos apenas
perseguidores
de doutorado
matilha de covardes
assassinos da imaginação
e não fazemos amor,
pois somos sérios,
tristes,
e presos ao nosso medo
e ciumentos demais
para sermos alguma coisa
no amor.
Afaste-se da sereia!
seu rochedo
despedaça gente
com cabeça de madeira
que flutuam no rio da seriedade
achando que são barco,
são apenas superficiais
que falam línguas
e nada têm de anjos,
a bem da verdade, e nem
de demônios
são almas estranhas
tristes
tao tacanhas
que se traem
e são esquecidas
por uma sereia Loreley
aquela que fica à margem do Reno,
na Alemanha,
em cima de um penhasco de 132 metros.
Mas para a Alemanha
ninguém vai para ver contos de fada obscuros
todo mundo vai pra concluir um doutorado
deixando para trás toda possibilidade de amor.

bicho papão


não escrevo para crianças,
eu as devoro.
Não escrevo para adultos,
eu os deploro.
O que fazer,
quando você
não se encaixa?
Quando se depara
com a constatação
infernal
de que
nem pra bicho papão
você serve?
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quarta-feira, março 12, 2008

cora coralina




uma velhinha
de Goiás
que fazia doce e poesia
uma menina
tempos atrás
que namorava a lua
fugiu grávida
de versos
e vazia
de pessoas.
Cora Coralina,
poetisa
e profetisa
e professora
do intenso viver
intenso sentir
E do interior:
do ser humano
e de Goiás
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falecida no início dos anos 80 aos 96 anos
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domingo, março 09, 2008

silêncio (post morten)


Quando a vida não importa mais
Quando o amor não incomoda
Quando seus sonhos desaparecem
Quando você se cansa da luta
Quando viver é irritante
Quando o veneno é doce,
e a faca, atraente;
quando o salto é esperado
e sem saldo
sem respaldo
sem respeito
sem importância
e sem sentido
sem dor
doravante, comovente;
ser envolvido sem ser envolvente
revólver, disparo
mágoa e desespero
espantar o cansaço
com a lâmina no pulso
descansar a alma
pulando do viaduto
se esquecer da desgraça
fazendo o que ninguém vê graça
Quando você não agüenta mais,
não agüenta mais!!!!!!
O que esperar de você,
a não ser
que descanse em paz?
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domingo, março 02, 2008

lobotomia

um lobo
não se sacia
com pouco
você sabia?
um louco
mal silencia
seu sopro
você gostaria?
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carne fresca para o lobo,
grandes sonhos para o louco.
e se você não gostar;
paciência - faça uma lobotomia
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

sim


Coração errado
sim para o pecado!
Coração esfumaçado
e nada mais importa
Dançar com o terror
Pulando etapas
sem pensar
sem resistir
pois nada mais importa
ao teu coração
coração amaldiçoado
que sabe o que é certo
e sempre faz errado
nada esperto,
nada esperto
E tão perto e tão errado
é a vontade...
é o desejo...
é o amor...
amor errado por alguém incerto!!
E o teu coração,
e o teu coração,
segue errado
dançando,
pulando,
se ferindo,
meditando,
evitando -
aliás, chegou a essa conclusão:
não amar e não ser amado
coração errado
que diz sim para o pecado!
Vamos, mais um pouco
daquela sensação
de ser uma vergonha ambulante
para si
e para a maldita raça humana
que não tolera o errado
e vive no erro
querendo dos outros
aquilo que ela não é
e isso cansa,
isso cansa
casado com
um coração errado.
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(poesia inspirada na música "Sin in my Heart" de Siouxsie & The Banshees)





domingo, fevereiro 10, 2008

totem em noite

o príncipe das fadas
atrás
arrastando
e no ar, folhas
cornucópia que sopra
a noite em teu ser
príncipe das fadas
numa velha estrada
não faz sentido,
nunca fez
a não ser
em seu ser
que de noite
consegue ver
o princípe,
o perigo
a folha
e está escrito
.
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Uma cabeça de urso,
chifres de bode,
pescoço de cervo
corpo de mulher
quatro braços fecundos
e misteriosos
trazendo a fortuna,
eis o príncipe das fadas
conforme eu o vi
seu nome é composto
de cinco palavras
numa língua esquecida.
Não tenham medo dele,
mas não tentem compreendê-lo.


terça-feira, janeiro 29, 2008

círculos em campo verde


tempo de milagre
verdade que contemplo
templo de amor
morada do sol
Perdemos em demasia
ao fechar os olhos.
E, quando vimos,
nosso campo estava
cheio de círculos
e o céu da manhã
estava enfeitado
por mandalas
.
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domingo, janeiro 27, 2008

Cor em Treva

e você sempre foi mais sinistro
maquiagem e sorriso
vermelho feito corte
mais forte que
seu coração em trevas
Palhaço obscuro
Trapezista se equilibrando
no fio da morte
Para você o carnaval
tem a cor dos
remédios antidepressivos
E se encanta em saber
que os absurdos
são motivo pra piada
e pensar na própria morte
lhe traz uma grande gargalhada!
Boca escarlate,
pele pálida
cabelo esquisito
e isso não é um conto de fadas!
não é um conto de fadas.
não é um conto de fadas!
não é um conto de fadas...
Quando você é o torturador de si mesmo
perambula pela noite afora
buscando um motivo de arrependimento
e encontrando desordem
nas pessoas que deviam ser normais
hei! elas se acham as tais
elas riram de você
pelos motivos errados
E o que resta agora?
Caminhar pela noite
com os gatos e fantasmas
esperando um halloween
esperando ressuscitar.
Sim, você está morto.
O Cavaleiro das Trevas venceu
o palhaço morreu
se matou de desgosto
Ao ver
que nada tinha mais graça.
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poesia inspirada no Coringa, esse palhaço Dark.


domingo, janeiro 20, 2008

nuvenzinha


E toda minha vida
eu passei
esperando por ti.
Mas a nuvenzinha
teve de ir
e o resto de minha vida
passarei
chorando por ti
.
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poesia em homenagem
à minha gatinha branca Pimenta
que resolveu miar
Sobre os muros do Paraíso.
Sentirei saudades, Pimenta!

segunda-feira, janeiro 14, 2008

sombra no paraíso





sombra no paraíso
ajeitar o cabelo,
se arrumar
lhe ver
partilhar um bolo
embarcar
e a minha bagagem
sumiu.
Antes disso,
um estranho deus
chamado Destino
estava estirado
aos nossos pés
como um bêbado
.
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duas e meia da madrugada

jovem inferno,

jovem inferno;

por que não dormes?

Sequer queimas em paz

bela a tua chama,

Bebes um pouco mais!

Pensas obscenidades belas

derrete-te facilmente

Tu não existe

e todos vão

para o céu
.
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desejo




dentro
fora
dentro
fora
dentro
fora
do sexo
do coração
da sua vida
dentro
fora
dentro
fora
fora
fora...
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quarta-feira, dezembro 26, 2007

quinta-feira, dezembro 06, 2007

o c e a n o p a c í f i c o & C a r i b e




Ei, não olhe para trás.
Você que foge e foge
da onda de lágrimas
que tenta lhe atingir
A onda se aproxima
sobre ela o monstro
se ergue,

gigantesco,

insensível,

monstruoso

inesquecível

Horrenda lembrança
insiste em se erguer
da fossa marinha
do esquecimento.
E não se sabe
se foi você que o aprisionou lá
ou foi ele que se jogou suicidamente,
ou lá se escondeu
para melhor lhe atormentar.
O fato é
que quando o oceano está pacífico
ele o transforma
no cabo das tormentas
e as águas passadas, claras e limpas
se turvam como o olho que chora
um mar de desespero
um furacão então assola
sua segurança
algo lhe aperta e então desata
a vela, a lágrima, o horror da lembrança
o trauma que dilacera a esperança
o coração pede para se deixar afogar.
A escuridão do monstro,
e tudo quanto ele lembra,
seu gosto e seu desejo:
você corre, foge como uma criança
e sua vida vira um naufrágio.
.
.
.
Tudo pára e você finalmente se cansa
de tudo isto
Do poder que deu ao monstro
para lhe ferir e lhe fazer sofrer.
O oceano pacífico ficou para trás
oceano do beneplácito da dúvida
você acorda numa praia
do Caribe,
e lá decide ser feliz
como os antigos piratas
que não tinham dono,
nem ideal, nem praia
e nem amor.
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sexta-feira, novembro 30, 2007

Guarde A Chuva (e o seu sarcasmo)



Não use aspas
Aspas são farpas
E farpas ferem
As aspas nas frases
são como aspas
numa sombrinha
que não lhe impede
de molhar-se
com qualquer chuvinha,
enquanto caminha
espetando seu olhar
nas aspas de outras
citações sombrias
de gente sozinha.
Não seja assim;
- Saia na chuva
para se queimar;
- Sinta sua própria voz
lhe chamar.
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noite árabe

camelo branco
caminha breve
nas dunas leves
da lua cheia
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quarta-feira, novembro 28, 2007

nome



em perfume negro
em aurora cintilante
em noite e véu escuro,
ambos esvoaçantes
em beijo, em instante
em mim, incerto
entrada em noite
embaixo em si
interno, eterno
embaraço em amar
inspiro, encanto
em você, o acerto
em prantos, omisso
entrentanto
me entretenho
em caminho
me abstenho
no carinho
em fuga
na noite
entre estrelas em pó
que sopra
em perfume
na aurora
que sobra
em parte
no que sinto
em que peço
lábios entreabertos
no olho fechado
em prece
silenciosa,
silenciosa,
silenciosa...





sábado, novembro 24, 2007

com paixão

instinto manda
te matar
intuição sussurra
te amar
razão convida
a te esquecer
E se ater
a isso...
aterrorizo
-me!







sábado, outubro 20, 2007

Espírito

Espírito Selvagem,
fim da tarde.
Cortante
saudade
meu sobrinho,
e sua esposa
e o seu menino.
Fim da tarde
Algo se finda
Algo me aperta
E não sei o que é
Meu sobrinho
Me pagou um café
É um bom homem
E não é mais menino
O menino agora
é o seu filho.
Pagou-me um café
com gosto insuportável
por algo
que não sei o que é
E eu não deveria
me sentir assim
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segunda-feira, setembro 17, 2007

Um par (Os Caminhantes)



Sapato
Sandália
Poeira
de estrada
Um que calça
outro não serve
em que se pese
o peso, o cansaço
do ano minguante
chinelo velho,
comida boa
floresta de bruxa
galinha na panela
preto e branco
séphia, fiúcsia
bota feia
tênis barato
não combinam
mas ei, descalço
a gente caminha
lado a lado
cada qual diferente
como nossos calçados
mas a gente caminha
no mesmo passo
a gente tá amarrado
e não é por cardaço
é por amor
sem tempo
e nem espaço.





quinta-feira, setembro 13, 2007

ANGÚSTIA

ANGÚSTIA
é o nome que eu perdi
ANGÚSTIA
não é o que eu não senti
ANGÚSTIA
e seu peso insuportável
ANGÚSTIA
santa que não responde
ANGÚSTIA
rosto sem nome
ANGÚSTIA
coração e alma
ANGÚSTIA
sei que sei
ANGÚSTIA
soterramento
ANGÚSTIA
palpar impossibilidade
ANGÚSTIA
repito que perdi
na madrugada
e não conscenti
com o que me angustia
sim, angustia
"sem acento"
o verbo
o acidente
o tenebroso
sempre se perde
sempre se perde
entre tanta
outra coisa
angustiosa
a angústia
é perfeita
como um
eclipse
num sonho
sonhado num
momento de
angústia
e lembrado
em outro
momento
de náusea
.
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sexta-feira, agosto 10, 2007

Estande

Um ano
num instante
filhote
&
morte
e o sol
e o sol!...
duma dica
represa
sol sem
pressa
alongo
seu
corpo
se deita
precisa
de mim
um ano
um anjo
instante
desenho
na estante
paira
.
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sábado, julho 07, 2007

estrela estranha



e
esquecida
estrela:
cometa
se meta
intrometa!
se mate
até
que
se mude
cadente
estrela
ardente,
estranha
pulsante!
cabelo
de
cometa
poder
paisagem
espaço
claro
noite
clara
ataque
mudança
é
estrela cadente
presságio
se chama
cometa,
uma tocha,
uma chama
chamado
desejo
inevitável
.
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quinta-feira, maio 03, 2007

maio

noites sonâmbulas
vem perturbar-me...
e nelas eu quase me esqueço
do que não sou.
meus gatos queridos, o que será
quando eu não mais voltar?
fugirei e me fundirei
na sombra da lua
que dança nas folhas
do meu quintal noturno
e sinto o chamado
cada vez mais forte
daquela
não-essência.

o monstro

o monstro
que quer
vir à tona.
obscuro monstro
feito de sombras,
de abismo,
de saudade,
de morte,
de tentáculos,
de ferimento,
de poder,
de horror.
Luto contra ele,
e Deus é testemunha
do quanto estou lutando.
mas seus tentáculos
já me enforcaram
muito antes
de minha luta começar
.
.
.

plasma

invisível
indicernível
lamentável
evitável
.
o fim da linha
o fio da rua
aparece a Lua
por um fio
cor entre
amarelo
e prata
penumbra
azul
umbral
não era para eu ver
o meu sangue
e no entanto,
.
.
.
não verei
pois não
conseguirei
.
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invisível

quinta-feira, abril 19, 2007

c a l i b r e

"um bilhão de motivos"
e nenhuma certeza,
pare com isso!
pare com isso!...
uma roleta
não de acasos
mas de cada
cadáver
venha
me ver
no jornal
me sinto
tão mal
sou o mal!
sou o teu mal!...
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(poesia feita inspirada no massacre ocorrido nos EUA)

domingo, abril 08, 2007

Casa dos Répteis

minha agulha
que aponta para o nada
casamento anônimo,
convenção do demônio
grande agulha!
atrelada à loucura,
coletando desencanto,
disfarço
caminho errado
réptil
num
inútil
salão
convenção
do
demônio
.
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