terça-feira, junho 11, 2019

sua chave






É sua chance
rever um velho 3x4
É sua chance
sair do conforto da solidão
É sua chance
deitar sobre a distância
É sua chance
rir da insegurança
É sua chance
se jogar
É sua chave
dar uma chance a você
É sua última chance
desencontrar uma desculpa
pensar com o coração
pulsar no carrossel 
ser perder sem se despedir
pedir carinho
chance
chama
acesa
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sexta-feira, maio 24, 2019

Quando eu fui blecaute




de madrugada faltou luz
silêncio.
penumbra, lua
no fim da rua, duas manchas brancas
cada um em sua bicicleta
dois lençóis brancos, fosforescentes, silenciosos
deslizando em ruas escuras e vazias
pedalando.
somem numa esquina.
Como se nunca tivessem existido.
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https://www.youtube.com/watch?v=oY1fqBu2AzE

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quarta-feira, maio 01, 2019

Anúbis Imigrante Ilegal



Veja a fogueira 
na curva do caminho escuro 
tremendo tal uma bandeira 
e iluminando o uivo noturno 
do coiote humano. 
Ele uiva a canção da liberdade 
que tanto lhe fere quanto lhe cura 
como a lua, que não é sua 
mas sem ela, sua verdade 
se desvanece. 
A fogueira-gêmea são seus olhos 
estão em brasa tamanho é seu ódio 
o venderam como a um escravo 
como irmãos podem fazer isso? 
(seu uivo troveja; alguns pensam  
que é um deus com cabeça de chacal) 
Por fim, a dor é tão intensa 
que ele cai; foi só mais um a tentar 
fuga suicídio  
Morre-se num mundo de mares e muros imundos 
A lua então aparece depois do eclipse 
e sua luz fugidia 
se derrama sobre o corpo frágil 
e nu e inerte 
da pobre criança que nada soube 
do não-saber 
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terça-feira, abril 02, 2019

em meio (redemoinho dos amantes)




respostas imaginárias
para situações inventadas
uma espiral em forma de rio
um gigante, um suicídio
conversas inventadas
para amores imaginários
amar em silêncio é como uma prece morna
em meio à floresta da solidão
repostas imaginárias
gigante suicida
rio torto,  minha mão
em oração cigana
perguntas inventadas
situações imaginárias
tudo morna tudo morre
em meio à floresta dos suicidas
suspiram futuro do pretérito
numa espiral de chances perdidas
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sábado, dezembro 15, 2018

Maria Biopanzer


Maria Biopanzer

fantasia


a máscara negra
encobre o sol vermelho poente 
fim de primavera, começo das fantasias
dossel em eclipse serpenteia
cintila a menina dos olhos
alegoria desfila o tempo
temperança colorida
o olho de hórus pintado 
sol negro
respiro fundo,
tudo é possível
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segunda-feira, setembro 10, 2018

Girassois incendiários

No fim
O inferno
Assim,
Abro a janela; abro olhos cansados
Ao lado de girassóis incendiários
Em mim
Pessoas fortes passam; pessoas fortes passeiam
Internos
Pessoas fortes
Pessoas erradas
Errantes eternos
Meus erros em procissão de chamas
Eu me debruço
Olho.
Olhos cansados.
Quando a procissão vai parar de me torturar?
Errantes Eternos
Mais uma janela aberta de uma moradia no inferno.
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sexta-feira, maio 25, 2018

mitologia urbana solidão




Caminhou numa noite fria de maio

bem fria.

pôs a mão no bolso,

tirou um punhado de estrelas 

e as pôs no céu.
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domingo, abril 22, 2018

Exobiologia

 
 
Sou um alien tentando contato
 
querendo contato
 
com seu mundo
 
com sua pele,
 
com seus pensamentos
 
e intimidade
 
Sou um pequeno alien gótico
 
perdido no escuro sideral dessa  multidão
 
um pequeno príncipe alien
 
em meu pequeno planeta desolado
 
tentando o contato
 
com uma raposa que virou astronauta
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sábado, março 31, 2018

Leitura das cartas

 
 
Tão longe, tão longe
e tão perto.
enterrando sentimentos,
com poeira de esquecimento;
passando por rios de lágrimas
ao lado da floresta onde mora o anjo da solidão
desperto
sem saber o que me reserva
os caminhos obscuros na palma da minha mão
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artes dardarianas

 
 
 
Não o que conheço
mas o que me encanta.
Não o que eu meço
e sim o que desanda
O que desalinha,
Estremeço-me com essas pequenas coisas, pequenos sentimentos, pequenos mistérios
O insondável desperta meu coração
mesmo que depois o despedace.
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sábado, março 10, 2018

Dolorosa



 
suspiro,
 
esse pequeno vento
 
a trazer incômodas fagulhas
 
Incendeio-me desagradavelmente
 
agulha incandescente
 
no coração
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domingo, janeiro 28, 2018

Netuno Selvagem

 
 
 
 
Dentro do meu peito,
cavalos indômitos
espantam-se
e procuram fugir
 
 
 
 
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sábado, janeiro 20, 2018

Vento, fúria e poesia

 
 
Diga ao dragão
 
que vomita o fogo que queima os dias
 
- Que sobreviveremos!...
 
como, não sei
 
Sei que com muitas queimaduras
 
de fúria de viver
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Videira




complexo de Cassandra
em sonho de Ophélia
encontro amplexo
dança na escuridão do tempo
com meu falecido pai
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domingo, dezembro 03, 2017

madeixas

 
 
madeixas
sorriso
vento no rosto
tocável
sentido
ao meu lado
você
seu sorriso
e suas madeixas
grama
sol
vento
e nem percebi
nossas mãos juntas
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sábado, novembro 18, 2017

geografia emocional

 
 
geografia emocional: tão longe,
e tão, tão perto
pessoas profundas
caminham entreplanos
suspiro,
planejamos
calamos pelos dois
Tentamos ser pessoas profundas numa terra plana, meu amor;
políticas de terra arrasada
 terráqueos
arrastamo-nos
um em direção ao outro
tão perto
longe,
muito longe
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sábado, outubro 07, 2017

solipsismo demolição

 
 
Aterrador
soterramento
terror
escombros
que caem
como pétalas
dou de ombros
lição
dos demônios
demolição
estruturas frágeis
rabiscos que desabam
tudo sobre mim
tento respirar
peito oprimido
mãos nos bolsos
procuram  me encontrar
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sábado, maio 20, 2017

boêmio vegano

Manjericão Blues
estou aqui viajando

jantando distâncias

plantando esquecimentos e

escolhendo noites
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Luz anticolisão

luz anticolisão
em puro silêncio escuro
passa perto da estrela da manhã.

Em meio ao lago noturno do céu,
Em meu lado soturno ou no seu ;
 
Não sabemos quem desvia de quem,
 ou quem é a estrela,
quem é  luz artificial, 
ou o que é esse distanciamento atroz
atropelando o silêncio escuro
manchando a noite de desespero puro.
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sábado, janeiro 21, 2017

avistamento

 
 
avistamento
 
horizonte amanhecendo
 
novos ares
 
silêncio
 
calma expectativa
 
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quarta-feira, dezembro 07, 2016

a menina que caminhava entre zumbis

 
 
há muita resposta para pouca pergunta
 
há pouca desculpa para muito desgosto
 
muitas saídas, pouco desvio
 
um pouco sozinha, reflete e caminha
 
no muito de gente que pouco a pouco definha
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terça-feira, novembro 22, 2016

Impermanência





Despir
Despistar
Despedir
Detestar
Desiludir
Desarmar
Desamor
Desesperar
Descolorir
Desalinhar
Desmentir
Desculpir
descubra-se
não se desculpe
não se desimpeça
não se curve
desassossegue
desafie-se
dispa-se
dispare-se
desague  no rio
permaneça impermanente



(baseado em Heráclito)
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sexta-feira, novembro 11, 2016

Sugar




Relacionamentos açucarados

são necessariamente secos

pois o doce se desfaz

na água, na lágrima, no sentimento verdadeiro,

que é intenso e fluido

e  leva consigo  o açúcar postiço

Suga  a mentira das selfies sorridentes

Vidas esmaecidas

Que bom que choramos abraçados, amor

sem ninguém nos ver.
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sábado, maio 14, 2016

temeridade




arquitetura das trevas
tudo arde friamente
corações entregues a mentes ardilosas
arquiduque, arquiinimigo, aniquilação
arquitetando, golpeando, compasso de desespero
compasso, círculo vicioso
Efemeridade, infâmia
gente viscosa, asquerosa, arquiduque, arquiteto
sonhos em escombros
por cima deles vem a marcha
mancha na história, vergonha alheia
só nos resta nos abraçar e resistir 
sem nada a temer
Resistir
Nada a Temer
Resistir
pois eles já estão a tremer

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a onda avassaladora vem
quando nos damos as mãos
resistimos, e não há nada a temer
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quinta-feira, abril 28, 2016

Doçura Oscilante





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Não me leve a mal
toque de leve
mal me quer
não reter
entreter
oscilar
vacilar
soprar
gente oscila
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sábado, outubro 31, 2015

partida do gato para o muro dentre as estrelas



O perfume da despedida
flor branca desmedida da noite
mais uma vez aperta meu peito
mais uma vez arranha de perto
dessa vez tem a cara do meu gatinho
que se foi hoje
foi miar na eternidade
levando consigo meu afago
meu carinho
minha saudade
meu agradecimento
minhas lágrimas
e meu coração
ele foi com uma pequena flor em seu pequeno caixão
um dia peço que me a devolva
quando nos encontrarmos de novo

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sábado, setembro 26, 2015

Arcano 6

Maniqueu
Messalina
Ateu
ou fundamentalista
dizer adeus,
depois morder a língua
 
 
 
 


quarta-feira, agosto 12, 2015

Off-line

Não me adicione;
Não toque a tela - se toque.
Não me curta
pois a vida já é tão curta...
(e comprido o não-cumprimentar)
Não me pesquise:
ouça o que de fato tenho para falar.
Descubra que a vida só liga
quando a tela se desliga
E que a rede social
é feita de tramas demasiado frágeis
para apreender o que é íntimo de fato.
 
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quarta-feira, agosto 05, 2015

Amizade emparedada

 
 
Num mundo sem paredes
a aranha não pode mostrar a ninguém
que sabe escalá-las.
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quinta-feira, junho 11, 2015

andorinha resiliente



uma pequena nuvem de pontos negros agitados
revoluteiam, vão e vem, bailam, brincam, música em torvelinhos no nada.
As palavras são como andorinhas;
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sábado, maio 09, 2015

Lorelei e a areia do tempo

 
E as surpresas perdidas entre nós
uma vida vazia, coberta de pó
um pedido d'alma ecoa como um gemido
entre fotos em séphia num jardim
de lembranças mortas antes de terem acontecido
E eu fico imaginando o que teria sido
se tivéssemos ouvido a sereia
que nos alertava de cima do rochedo
olho ardido de lágrima
um precipício
e agora tudo o que temos
é o silêncio
questão de princípios
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sexta-feira, março 13, 2015

pescoço



o pescoço que se enforca
o esforço que é raso
rastro de manchas, talvez pegadas;
o pescoço que se enfeita
estreita ao peito amado
rasgo de desespero, devaneio
devagar vem, lentamente se esvai
pequeno, despossuído
perigo, possesso
pescoço beijado, enforcado, combalido.
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quarta-feira, janeiro 14, 2015

Selfie-service (Delfos sem oráculo)

 
 
Fotografa-te a ti mesmo
Adicione-me ou te devoro
imploro, implodo;
tudo se mostra
e nada se revela
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terça-feira, dezembro 16, 2014

rosário negro

 
Um mal necessário
dor fenomenal
um bem querer olhando a ninguém
ossário onde nascem rosas
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Darkwave




Som gelado

de que tanto gosto

vastidões, escuridões, nelas respiro e existo - e tudo mais é resto.

música noturna tão querida:

flor que se desvela em gotas de penumbra

Irresistível jardim de melodias distantes; 

Eu danço de olhos fechados, na escuridão do salão gótico

O que se passa ao redor? Não sei

Nesse momento apenas, irremediavelmente, 

agradavelmente,

eu nada sei.
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segunda-feira, dezembro 15, 2014

quarta-feira, dezembro 10, 2014

esculpindo uma fuga




Fuga
Esculpe uma desculpa 
descanse
descasque,
e escape do casulo
fuja dessa sepultura
onde tudo acaba e nada cabe
nem sonhos,
nem sentimentos
nem cultura
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sexta-feira, novembro 28, 2014

Vade Retro


O que me cansa
O que não me alcança
O que me oprime
O que me basta
O que não curto
O que me arrasa
O que não procuro
O que se arrasta
O que não amo
O que me desgasta
O que não vem
O que não vai
O que se encosta
O que me desgosta
O que se convence
Do que não pertence;
O que eu tenho
É porque não busco
O que se lambuza
Do meu desprezo
E ainda assim me deseja
Sem ensejo, sem destino, só nojo
O que quer que seja
E o que não despeja
pegajoso e frio
frio e calculista
Tudo o que não me atrai
passe reto, passe torto
seja leve, seja breve
sobressai
destroços
ossos ortodoxos
de um ofício morto
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Silhueta



Silhueta

Silêncio que cai em pétalas de sombras

 amálgama enreda 

delicadeza em monocromias

sombra de fadinha sentada

Quem é ela? A beleza de nunca saber.
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poesia inspirada no trabalho de Lotte Reiniger

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